A importância de democratizar o acesso ao ensino superior no Brasil

Enviada em 29/08/2023

Na animação “CyberPunk”, a personagem principal David Martinez vive em um futuro de distopia laissez-faire. Nesse cenário vemos, por exemplo, a limitação ao acesso ao ensino superior culminando em seu fim natural no neoliberalismo, ou seja, se tornando algo exclusivo às elites detentoras do capital. Em meio a esse contexto, David é obrigado a se tornar um mercenário, em busca de uma vida minimamente digna. Diante dessa premissa, é de suma importância analisar como a lógica capitalista precariza a infraestrutura do ensino público no Brasil, a fim de democratizar o acesso ao ensino superior e evitar o ensejo de uma brutal segregação.

Segundo Karl Marx, a base de uma sociedade capitalista são os meios e as relações de produção. Dentre as relações de produção, temos o capital. Nesse sentido, para serem superados os problemas advindos de um sistema onde o dinheiro é não somente o meio, mas também o fim que move os múltiplos agentes da sociedade, o investimento financeiro se prova necessário. No entanto, há uma carência do mesmo quanto ao ensino superior pátrio, que tem sido amplamente negligenciado.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a falta de infraestrutura, que deriva da falta de investimento. A filósofa alemã Hannah Arendt defende que o espaço público assegura as condições de garantia da liberdade e de cidadania. Em outras palavras, sem uma infraestrutura de qualidade, o ser humano é privado de sua liberdade e prejudicado no exercício pleno de sua cidadania. Esse aspecto está presente de maneira decisiva quanto à democratização do ensino superior no Brasil, uma vez que existe patente descaso estatal acerca do tema.

Portanto, para que o acesso ao ensino superior no Brasil seja assegurado, o Ministério da Educação deve aumentar o investimento nas faculdades públicas, por meio de verbas governamentais, com o intuito de aumentar o número de vagas disponíveis – especialmente para as camadas sociais mais fragilizadas da sociedade – e melhorar a sua infraestrutura. Somente assim será possível evitar o futuro distópico descrito em “CyberPunk”.