A importância de democratizar o acesso ao ensino superior no Brasil

Enviada em 22/08/2023

Consoante ao sociólogo canadense Erving Goffman, em seu livro “A representação do eu na vida cotidiana”, os papéis sociais envolvidos no processo interativo humano ditam as ações dos indivíduos. Nessa perspectiva, a coletividade - especialmente os detentores do poder - age com individualismo e com apatia, priorizando suas garantias e não as de outrem. Tal estorvo é percebido com as dificuldades de acesso comum a cursos superiores. Desse modo, é fundamental inferir as raízes desse impasse, que são: o passado colonial e a assimetria social.

Sob esse viés analítico, a não democratização de graduações é um panorama anoso no território nacional. Acerca disso, segundo o filósofo espanhol George Santayana, “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repetí-lo”. Desde o período colonialista, um dos privilégios da elite econômica era a oportunidade de estudar em faculdades renomadas da Europa. Ao se formarem, a aristocracia detinha prestígio e perpetuava essa condição estudantil às suas gerações. Sendo assim, a massa brasileira, formada predominantemente por pretos e pardos - sempre invalidados no corpo social, nunca possuiu condições de acesso ao ensino superior. Portanto, é imprescindível a reparação daquele passado que se faz, ainda, tão presente no Brasil.

Por conseguinte, de acordo com Ariano Suassuna, renomado pensador brasileiro, a pátria está dividida em dois países distintos: o dos privilegiados e o dos despossuídos. Tal paradigma influencia de forma direta as relações de classe do povo brasileiro, já que há uma desproporção na educação do país. À vista disso, nota-se que a conjuntura precária de muitas instituições públicas dificulta o aprendizado e a persistência dos discentes. Assim, muitos estudantes não terminam sequer o Ensino Fundamental, pois nem todos conseguem almejar um sonho tão distante, devido à vivência árdua que a desigualdade ocasiona.

Logo, urge que o Governo Federal desenvolva, aliado ao Ministério da Educação, por meio de campanhas e de investimento financeiro, um “Plano Nacional de Reestruturação e Ressignificação da Educação Brasileira”. Está ação será empreendida com o fito de reparar a historicidade dos despossuídos e de tornar, finalmente, o contexto colonial obsoleto.