A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 17/11/2021

Ainda no terceiro milênio, observa-se a ausência da representatividade social na publicidade no Brasil, o que é preocupante, devido ao fato de que os estereótipos a cerca do imaginário idealizado da população são cada vez mais reforçados. Nesse contexto, é importante comprender como a forte influência midiática e a negligência estatal apresentam um papel expressivo na consolidação dessa conjuntura, a fim de combatê-la.

Diante desse cenário vale ressaltar que a propaganda e publicidade bombardeiam a população, desde as crianças até os idosos, com as linguagens verbais, não verbal e mista corriqueiramente, de maneira que um anúncio publicitário é divulgado em todas as regiões do país, homogeneizando uma concepção masculina, branca e heteronormativa. Desse modo, as diversidades de raça, gênero e sexualidade não são mostradas ao público com a mesma intensidade que o padrão, advindo, sobretudo, da noção eurocêntrica colonial, a qual apregoou no território brasileiro a superioridade do homem branco em detrimento dos grupos negros, indígenas, femininos e LGBT. Assim, a mídia passa a corroborar o preconceito social e o constante clareamento hétero masculino das personagens de filmes e propagandas, tornando-se, então, uma ferramenta de opressão por marginalizar uns diante de outros. Tal fato contradiz o sociólogo Pierre Bourdieu, o qual dizia que o mecanismo midiático deve ser democrático e não opressor, como se percebe.

Ademais, a negligência estatal quanto à situação antidemocrática de representatividade é outro elemento que obstaculiza a superação do estereótipo na sociedade. Consoante, o ex-chanceler alemão Bismark, políticas públicas são o meio de ideias se tornarem realidade, incluindo como função do Estado o combate à perspectiva do branqueamento hétero masculino enraizada no imaginário dos brasileiros. Nesse sentido, faz-se necessário ações que impulsionem o simbolismo da variedade de grupos na nação e que esses possuam espaços de atuação e direito à voz e expressividade garantidos.

Portanto, é indubtável a necessidade de medidas que, ao menos, atenuem o crítico cenário e que ratifiquem a tese do sociólogo Pierre. Sendo assim, o Ministério da Cidadania, a fim de erradicar o preconceito e promover a representação democrática aos cidadãos, deve combater a escassez da simbolização das multiplicidades na mídia, por meio de peças teatrais e filmes nacionais, os quais abarquem temáticas pouco exploradas socialmente, bem como a essencialidade da diversidade humana, que um país marcado pelo contato entre culturas e povos pode apresentar. Somente assim, o padrão imagético e a negligência estatal serão superados, simultaneamente, no Brasil.