A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 09/11/2021

Hannah Arendt, escritora alemã, em sua obra “Origens do Totalitarismo”, disserta sobre como a propaganda foi tida como um alicerce para a permanência de regimes totalitários, instrumento utilizado para polarizar a mentalidade das massas e disseminar os princípios de entidades políticas. Mediante ao exposto, ao analisar o impacto social da publicidade, constata-se a importância da representatividade nessa, a qual englobe as características multifacetadas da sociedade, o que é negligenciado e, assim, percebe-se a fragmentação do corpo coletivo advinda do quadro. Por isso, graças à estigmatização dos invisíveis e, consequentemente, à segregação, a conjectura assola a coletividade.

Em primeiro plano, a amplificação de preconceitos a respeito de minorias não representadas corrobora a conjuntura. Nesse sentido, o livro “Holocausto brasileiro”, de autoria de Daniela Arbex, retrata como os pacientes do Hospital Psiquiátrico de Barbacena eram excluídos e invisibilizados em meio à sociedade, fato que tonificou os esteriótipos acerca de indivíduos com enfermidades psíquicas. Dessa forma, a partir do momento em que as minorias são omitidas por meio de uma publicidade com óptica unilateral da composição social, são fortificados os estigmas que regem determinadas classes, como, por exemplo, pacientes psicológicos. Logo, devido à nefasta invisibilização de indivíduos, como alude Daniela Arbex, emergem os obstáculos advindos da propaganda não inclusiva.

Por conseguinte, a segmentação trazida pelo cenário evidencia-se danosa à coletividade. Nesse viés, a obra literária “Diário de Anne Frank”, escrita por uma judia contemporânea de Hitler, relata como a propaganda antissemita nazista criou uma aversão ao judaísmo e a exclusão de seus adeptos da sociedade. Dessa maneira, no instante em que a publicidade exclusivista fragmenta a harmonia das interações interpessoais na sociedade, evidenciam-se tematicamente paralelas as obras de Hannah Arendt e de Anne Frank, ao afirmar o poder disruptivo da propaganda unilateral e mostrar a fragilização dos laços sociais por essa. Assim, graças aos problemas advindos do quadro, são necessárias medidas governamentais de intervenção.

Portanto, depreende-se que a questão da falta de representatividade na publicidade é um desafio e carece de soluções. Sendo assim, o Estado, por meio da implementação legislativa da obrigatoriedade de diversidade sociocultural em programas e comerciais, deve fazer com que o aspecto multifacetado da sociedade seja devidamente enaltecido, a fim de erradicar a estigmatização de classes pela invisibilidade a qual foram impostas e, dessa maneira, extinguir a disruptiva segregação social trazida pela exclusividade propagandística, o que tornará episódios de perversão da publicidade discutidos por Hannah Arendt obsoletos.