A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/08/2021
Na obra “Macunaíma”, do escritor Mário de Andrade, o personagem principal representa o retrato dos brasileiros, caracterizados pela diversidade e miscigenação. Contudo, atualmente, diferentemente dos mordenistas do século XX que valorizavam a pluralidade do país, diversos meios comunicativos, como a publicidade, restrigem os perfis dos indivíduos e excluem a participação de grupos minoritários. Dessa maneira, é necessário analisar a importância da representatividade nas mensagens publicitárias como forma de superar estereótipos e romper com o marketing excludente.
Apriori, é válido destacar que uma das principais importâncias da representatividade na publicidade é instigar a valorização das subjetividades e, assim, acabar com a perpetuação de imagens inalcançáveis e taxativas. Tal concepção baseia-se na teoria do sociólogo Karl Marx, o qual afirma que a infraestrutura dirige a superestrutura, ou seja, a classe dominante interfere em diversos aspectos da sociedade, como seus pensamentos e comportamentos. Nesse sentido, essa ideia fica clara ao perceber que diversas empresas, buscando promover o consumo dos seus produtos, exibem em seus anúncios indivíduos padronizados e distantes da diversidade brasileira. A partir disso, o constante contato com essas mensagens cria na população estereótipos em relação à aparência e a atitudes, os quais prejudicam o pleno desenvolvimento de sujeitos “fora do padrão”. Desse modo, nota-se como é essencial a adoção de um marketing que enaltece a pluralidade social e fomenta a autoaceitação.
Ademais, é fundamental ressaltar que outra importante função da representatividade na publicidade é romper com a discriminação social. Tal perspectiva está relacionada à teoria da filósofa Marcia Tiburi, a qual afirma que a propaganda é um método que sustenta a negação do outro, pois prega a intolerância e instiga a “cegueira ideológica”, em que o sujeito é incapaz de compreender o diferente. Com base nessa concepção, nota-se com essa ideia reflete a formação preconceituosa dos brasileiros, como a manutenção da segregação racial, já que, de acordo com a pesquisa da Agência Heads, somente 7% dos protagonistas das peças publicitárias são negros. Desse modo, torna-se imprescindível a valorização de um marketing inclusivo e conscientizador, visto que contribui para a discussão de temas relevantes, como a exclusão social, e para a inclusão de grupos minoritários.
Logo, para que a representatividade na publicidade seja instigada, as empresas devem romper com os estereótipos e com o marketing excludente, por meio de anúncios com protagonistas mais diversos e reais, além de parcerias com influenciadores digitais, os quais além de alcançarem um público maior, exibam mensagens conscientizadoras que visem fomentar a valorização da pluralidade e a inclusão dos grupos minoritários na sociedade, a fim de formar uma população mais crítica e inclusiva.