A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/08/2021
No terceiro episódio da série “Emily in Paris", é retratada a gravação de um comercial de perfume em que, para atingir o sucesso publicitário, uma empresa exibe uma mulher desfilando nua e passando por vários homens vestindo terno. Ao sair do contexto televisionado e adentrar nos tempos atuais, percebe-se que, assim como na trama, a publicidade, por, ainda, ser moldada por muitos estereótipos que insistem em vincular padrões sociais e “desejáveis” na sociedade, continua a se degradar e não representa o povo com seu caráter identitário e universal, o que se reverbera na grande falta de pertencimento que assola a população. Nesse prisma, faz-se pertinente analisar a relevância da representatividade na publicidade, bem como a principal barreira que impede sua implementação.
Com efeito, é fundamental considerar que a importância da representação na publicidade se dá, sobretudo, pelo próprio caráter identitário e integrativo que ela própria já objetiva ao incitar a diversidade real ao oferecer do mascaramento social. Isso porque, ao tomar como base as palavras do filósofo Guy Debord, para quem a realidade está inserida em uma espécie de “sociedade do espetáculo”, marcada pela banalização das culturalidades em prol de uma ideal que insiste em retratar somente aquilo aceito pelo “espetáculo”, é nítido, a partir dessa mentalidade, a pertinência dessa manifestação cultural, já que não só irradia uma cultura de pertencimento, mas também diminui intolerâncias enraizadas pelos padrões sociais. Desse modo, esse viés, por incentivar a igualdade com base na equidade, seria de extrema relevância para a construção de um povo nitidamente brasileiro.
Ademais, convém pontuar que a barreira principal que impede a efetivação desse projeto está ligada, primordialmente, à frequente padronização que tanto a mídia como a sociedade, por intermédio de um ideal intolerante, impermeabilizaram. Tal situação pode ser verificada já nas ideias do próprio filósofo Theodor Adorno, para quem, a indústria cultural, por mover a cultura sempre com objetivo de alcançar a massa e atingir o maior lucro financeiro e a audiência social, não só moldou a comunidade com base em raízes sociais que cultivavam o “corpo” perfeito, como também em personagens hipersexualizados que não vinculam o coletivo e nem o pertencimento social. Sendo assim, a propaganda, pautada pelo apelo do público constante, atrapalhou a identificação comunicacional.
Portanto, compreende-se que a representatividade no meio publicitário é de extrema importância.Por isso, é essencial que a Secretaria de Publicidade e Promoção fomente a divulgação de propagandas mais plurais para que a equidade seja incitada. Tal iniciativa ocorrerá por meio de um Projeto Nacional de Incentivo à Representatividade Midiática, o qual irá estimular a diversificação social no ambiente de televisão e maior número de protagonistas que representam as minorias sociais.