A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 09/08/2021
Na obra “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, é narrada uma situação de “hipnopedia” - estratégia utilizada pelo governo para alienar a população, manipulando e hipnotizando elas enquanto dormiam. Na sociedade atual, as empresas públicas e privadas se utilizam de situações em que os clientes estão mais vulneráveis e menos atentos para vender um produto ou um serviço, a exemplo das propagandas que, na maioria das vezes, induzem a sociedade a terem comportamentos preconceituosos e excludentes, por não fazerem questão de exibir representatividade, mas apenas lucrar. Dessa forma, é válido discutir sobre o conteúdo que a publicidade transmite e como ela influencia no comportamento das pessoas.
Com efeito, para entender a necessidade de incluir mais representatividade nas propagandas, é importante perceber que a maioria delas não traz conteúdo e ensinamento, e foca apenas em convencer o cliente. Acerca disso, muitas acabam expondo situações de objetificação da mulher - como nas propagandas de cerveja e, então, a sociedade começa a associar a mulher apenas a um corpo padrão que é mostrado na TV, contribuindo, inclusive, para a ocorrência de situações de violência. Nessa perspectiva, o filme Bela Vingança revela o quanto a cultura da objetificação afeta a vítima e as pessoas do seu ciclo social,pois gera traumas irreparáveis e isso não pode mais ser aceitável.
Além disso, é perceptível que os meios de comunicação influenciam no comportamento e nas atitudes das pessoas, ou seja, se nas propagandas elas veem uma população negra sendo tratada como minoria, coadjuvantes, ou apenas mulheres exercendo tarefas domésticas, isso também também reflete em como a sociedade vai agir com essa parte da população. Isso pode ser relacionado ao conceito de Indústria Cultural de Adorno e Horkheimer, que abrange o caráter ideológico de uma cultura para as massas, promovendo uma homogeneização e padronização não só dos produtos mas, principalmente, das mentes, contribuindo para a formação de uma sociedade cada vez menos crítica, porém mais passiva, que aceita tudo sem questionar.
Destarte, é evidente que a publicidade está sofrendo uma estagnação de diversidade e representatividade. Assim, é fundamental que o Poder Legislativo Federal, mais especificamente o Congresso Nacional, estimule a diversificação das pessoas convocadas para as propagandas e dos seus papéis nelas. Tal iniciativa ocorrerá por meio da elaboração de um projeto de lei que exija a participação de negros, LGBTQIA+, deficientes, nas propagandas e, além disso, proiba a objetificação da mulher principalmente nos comerciais de bebida alcoólica. Isso será feito a fim de formar gerações mais conscientes e respeitosas, afinal, a diversidade é fundamental para a propagação da cultura.