A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 08/08/2021
Advento que ganhou popularidade no período colonial, a origem da publicidade no país está intrinsecamente relacionada à divulgação de anúncios que reforçavam a imagem pejorativa de determinadas minorias, como os negros. Mais de três séculos depois, as peças publicitárias atuais abandonam — gradualmente — o papel secundário outrora ofertado aos marginalizados, colocando-os em situação de protagonismo nas propagandas, a fim de aumentar a representatividade desses grupos. Nesse sentido, a importância de tal atitude consiste no estímulo à autoaceitação e no fomento ao combate de preconceitos.
A princípio, observa-se que o incentivo à autoaceitação é um dos reflexos da representatividade nas propagandas. Quanto a isso, a escritora Djamila Ribeiro pontua, na obra “Pequeno manual antirracista”, que as mídias veiculam — constantemente — visões estigmatizadas das minorias. Sob essa ótica, ao divulgar anúncios que hiperssexualizam o corpo negro ou que retratam apenas o padrão heterossexual de família, a publicidade não só difunde as estereotipias abordadas pela autora, como também obsta a autoaceitação dos marginalizados. Isso ocorre porque eles não veem suas particularidades sendo valorizadas a ponto de serem representadas nos meios midiáticos. Dessa forma, aumentar a representação não preconceituosa de grupos excluídos, como negros e homossexuais, por exemplo, significa transmitir a ideia de que as suas características devem ser aceitas e valorizadas por eles e pelo corpo social.
Outrossim, o combate ao preconceito também é uma das contribuições da representatividade na publicidade. Sob isso, o filósofo Mário Sérgio Cortella cunhou o termo “mídia como corpo docente” para sintetizar o potencial instrutivo que os meios midiáticos possuem sobre os indivíduos. À luz de tal concepção, quando a propaganda veicula anúncios que valorizam o protagonismo dos grupos excluídos, como os deficientes e os indígenas, ela transmite a ideia de que tais sujeitos merecem o reconhecimento e o respeito da sociedade. Assim, as peças publicitárias podem contribuir para uma mudança no viés pejorativo dado às minorias, pois podem ensinar o corpo social a respeitá-las.
Em suma, para potencializar os dois fatores de importância da representatividade na publicidade, deve-se atuar da seguinte forma. Cabe à Associação dos Profissionais da Propaganda — órgão responsável pelas diretrizes da profissão —, junto aos movimentos sociais, conscientizar acerca da relevância de valorizar as minorias junto aos seus associados. Isso pode ser feito por meio de cursos gratuitos e cartilhas a serem elaboradas e ofertadas pelos dois atores supracitados, com o fito de evitar o fomento de estereotipos e potencializar o papel das propagandas no combate ao prenconceito.