A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 08/08/2021

Em 2020, o ator Thammy Miranda foi garoto-propaganda do Dia dos Pais da empresa Natura, entretanto diversas pessoas boicotaram os produtos dessa campanha pois não aceitavam, preconceituosamente, que um ator transexual esteja relacionado a figura de pai. Nesse viés, percebe-se que a representatividade no meio publicitário, mesmo sendo de grande importância, ainda é rudimentar no Brasil. Dessa maneira, é fundamental analisar o pertencimento como um fator relacionado a importância dessa representação, bem como o preconceito como a causa desse cenário rudimentar.

Em uma primeira abordagem, deve-se falar que o uso de pessoas em propagandas como estratégia para chamar atenção do consumidor ocorre desde os primórdios da publicidade, no século XVII. Nessa perspectiva, quando ocorre a representação social no marketing, esse recurso cria uma conexão entre a marca e o seu público. Contudo, conforme dados do Instituto Locomotiva, 76% dos brasileiros não se veem representado pelas propagandas exibidas na televisão. Nesse sentido, grande parte da população, sobretudo as minorias sociais, como negros e pessoas do grupo LGBT, não se identificam no cenário criado pela publicidade, fazendo com que, além de não criarem laços com a empresa, elas não se sintam pertencentes ao contexto comercial vigente no país. Diante disso, a representatividade na publicidade é importante, pois salienta a ideia de pertencimento no corpo social.

Em uma segunda análise, deve-se dizer, ainda, que “Habitus”, conceito filosófico de Pierre Bourdieu, é a “interiorização da exterioridade e a exteriorização da interioridade”, ou seja, o agente absorve características vigentes na sociedade e as expõe de forma naturalizada. Nesse cenário, no Brasil, o preconceito, fruto do legado histórico, é constantemente interiorizado pelos indivíduos. Nesse contexto, dentro do mundo publicitário, quando uma empresa cria uma propaganda que promove a diversidade, ela, muitas vezes, é constantemente boicotada por pessoas preconceituosas, o que desestimula o desenvolvimento da representatividade na publicidade. Diante desse fato, o preconceito enraizado no corpo social gera a perpetuação da falta de representação das minorias no marketing.

Portanto, a representatividade na publicidade possui grande importância. Assim, é necessário que o Ministério da Cidadania e o Ministério da Educação desestruturem o ideal preconceituoso enraizado no corpo social. Essa ação deve ser realizada por meio da criação de um programa escolar, o qual deve utilizar as aulas de sociologia e de filosofia para contemplar as consequências do preconceito e a importância da representação. Dessa forma, as empresas, diferente do cenário de 2020, poderão promover a diversidade sem sofrerem boicote, o que permitirá a ampliação da representatividade na publicidade, gerando, consequentemente, o sentimento de pertencimento na sociedade verde-amarela.