A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 09/08/2021

Em 2020, o Projeto de Lei 504/20 que pretendera proibir propagandas que contenham alusões vinculadas à diversidade sexual e aos movimentos LGBTQIA+ foi levantado em questão no Brasil e apoiado por diversas entidades políticas e cidadãos conservadores. Através de tal ótica, o retrocesso social e político de países como o Brasil torna-se evidente com a banalização da importância da representatividade na publicidade. Sendo assim, o preconceito orquestrado por trás da “moralidade” é motivado tanto pelo público negligente, quanto pelo padrão do senso comum de consumo.

Em primeira análise, é sensato pontuar a negligência quanto aos consumidores de propagandas que negam a diversidade e atacam empresas e modelos que ousam fazer algo diferente do padrão. Sob esse viés, consoante a matéria do jornal “Correio Braziliense”, a elencação da atriz  Halle Bailey – atriz e cantora de pele preta – para interpretar uma personagem originalmente branca em um live action da Disney, foi motivo de desmoralização através das redes sociais com comentários racistas e preconceituosos mascarados de “opinião”, o que atingiu diretamente o emocional da atriz. Nesse contexto, a representatividade torna-se uma questão ambígua, que depende tanto da indústria publicitária quanto da índole moral e social dos consumidores.

Outrossim, é vital ressaltar a problemática de padronização do senso comum de consumo na indústria midiática e o seu impacto na mídia. Nesse interesse, segundo dados da Organização das Nações Unidas(ONU), apenas 47% dos 25% de protagonismo negro feminino têm traços fenótipos negros: cabelo crespo, pele escura e nariz e lábios grossos, ou seja, mais da metade de todo o avanço da publicidade negra foi mascarada por matrizes de caráter padronizado: traços suaves, pele clara, cabelo liso, magreza e notória heterosexualidade. Nesse contexto, portanto, não existe diversidade dentro do pequeno espaço ocupado por mulheres negras no ramo do protagonismo na publicidade, além se salientar o padrão heteronormativo, gordofóbico e racista da indústria midiática.

Depreende-se, portanto, que ações devem ser delegadas com o propósito de modificar o senso comum padronizado da sociedade e desenvolver a importância da representatividade na publicidade. Para tanto, apenas a ONU, em sinergia com grandes empresas e marcas, tem poder suficiente para incentivar e asseverar a massificação da real diversidade nas propagandas transmitidas nos países-membro, por meio da criação da Assessoria de Publicidade Social(APS), que deve publicar e engrandecer, com equidade e responsabilidade, a parcela de produtos e propagandas de caráter minoritário. Destarte, somente assim a publicidade terá representatividade em sua totalidade e projetos de leis como o 504/20 serão abolidos tanto da legislação, quanto da ideologia conservadora.