A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 19/05/2021

O filme “Cleópatra” de 1963, até os dias atuais é apontado por ter em sua personagem principal, uma versão hollywoodiana branca, que difere da Cleópatra egípcia que tinha traços negroides. Não distante, na atualidade ainda é possível observar distorções de personagens reais e representatividade na publicidade. Nesse sentido, é possível detectar um grave problema de caráter específicos nas mídias, quer seja por controle de massas pela classe hegemônica, quer seja por necessidade do espectador em não refletir a realidade e se anestesiar.

A priori, para o sociólogo Guilherme Terrerri, a cultura tende a representar a classe hegemônica daquela localidade e época. Com isso, se no Renascimento, as pessoas eram retratadas com mais massa corpórea, era porque quem era rico poderia comer o ano inteiro. Hoje a magreza é desejada porque quem tem tempo de ir a academia, fazer comidas saldáveis e ir a salões de estética, são pessoas que possuem dinheiro. Essas pessoas também são majoritariamente brancas devido ao histórico escravagista brasileiro que mantem seu racismo velado. Isso fica evidenciado no dado divulgado pela agencia de publicidade “B9”, em que apenas 25% das propagandas publicitárias continham mulheres negras e a porcentagem de homens negros é ainda menor.

Ademais, é preciso levar em conta o pensamento de Adorno sobre Industria Cultural. Para ele, as produções do cinema, rádio e outras mídias são o “ópio do povo”, não sendo feitas para a reflexão, mas para anestesiar. Também, o fato de a Industria Cultural vender mundos perfeitos faz com que seja um controle de massas. Isso fica evidencia do filme sobre a vida da pintora Frida Kahlo. Não é retratado no filme o fato da artista ter tido poliomielite e ter amputado a sua perna direita. Com isso, ao retratar uma Frida portadora de deficiência física, o espectador poderia se sentir impelido a pensar sobre a acessibilidade para outras pessoas com deficiência física na atualidade.

Portanto, diante do que foi exposto, medidas precisam ser tomadas. Cabe ao Legislativo, realizar programas nacionais que vissem a determinação de representatividade nas propagandas publicitárias. Bem como, com o Ministério da Educação, adicionar disciplinas nas grades dos cursos de publicidade, propaganda e comunicação, que promovam a discussão sobre a representatividade nas mídias. Assim, talvez, no que tange esse assunto, possamos mudar o quadro no Brasil.