A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 13/05/2021

De acordo com os ideais de Émile Durkheim, sociólogo francês, o ser humano é um ser social, o qual sente a necessidade de ser representado por algum grupo, visto que os fatores externos influenciam as pessoas o tempo todo e despertam tal sentimento. Nesse contexto, nota-se que a representatividade é um fator importante para as empresas de marketing hodiernas, responsáveis pela divulgação de produtos, serviços ou marcas, posto que o objetivo das propagandas é chamar a atenção dos mais variados grupos sociais. No entanto, o Brasil ainda é uma país que valoriza determinados padrões específicos dentro da publicidade, como a cor da pele, excluindo, dessa forma, as minorias, principalmente as pessoas negras. Isso ocorre seja pelo preconceito enraizado na sociedade, seja pela negligência governamental.

Em primeira análise, é válido retomar a problemática supracitada quanto ao preconceito. Segundo uma pesquisa realizada pela agência Heads, em parceria com a ONU mulheres, a participação de pretos em peças publicitárias equivale há apenas 25% de todas as propagandas realizadas no país, isto é, o protagonismo continua sendo majoritariamente branco. Ademais, a pesquisa ainda mostra que mesmo quando os negros são representados pela publicidade brasileira, há um enorme interesse, por parte das empresas e das mídias, em amenizar os traços negróides. Isso se dá através de alisamentos de cabelo e contratação de pessoas com traços finos e tom de pele mais claro para realização dos serviços, fato que reforça a ideia do preconceito.

Aliado a isso, o Estatuto da Igualdade Social foi criado para garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades. Todavia, o governo não oferece muitas vagas de trabalho para essa minoria na área de publicidade e propaganda, refutando o Estatuto. De acordo com Marcelle Felix, doutoranda em sociologia pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos, há uma normatividade branca, a qual sempre coloca os brancos como referência para sociedade. Diante desse cenário, o governo não se preocupa com a inclusão das pessoas pretas no âmbito trabalhista e faz com que o Brasil ainda seja falho no quesito igualdade racial e representatividade.

Infere-se, portanto, a necessidade da criação de medidas governamentais para resolver o impasse. Nesse contexto, cabe as instituições de ensino seguir o modelo kantiano de que o ser humano é aquilo que a educação faz dele e promover campanhas com professores sociólogos, os quais expliquem os efeitos negativos que a falta de representatividade pode causar. Além disso, o governo deve oferecer mais oportunidade de trabalho, exigindo das empresas a apresentação de um documento que comprove a presença de pessoas negras nos serviços.Dessa maneira, a representatividade será efetiva.