A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 13/05/2021
O Brasil foi um país fundamentalmente formado a partir da fusão de diferentes raças e culturas desde os primeiros choques conflituosos entre as etnias indígenas, viajantes europeus e povos africanos. Essa associação de características físicas e culturais propiciou a formação de uma população extremamente diversa e miscigenada, a qual ainda nos dias atuais enfreta problemas com a representatividade. Apesar da plena consciência da inexistência de corpos iguais fenotipicamente entre todos os mais de sete bilhões de habitantes no mundo, a mídia insiste em impor um padrão estético representado, em grande maioria, por pessoas brancas, altas e magras. Isso se faz problemático porque, no Brasil, essa falta de identificação pessoal com as publicidades produzidas acontece de maneira muito intensa e expressiva, e pode acarretar sérios distúrbios psicológicos de distorção de imagem, transtornos alimentares e pode agravar problemas como depressão e ansiedade.
Em primeiro aspecto, é possível perceber a intensa discrepância entre aquilo representado nas mídias comunicativas e a verdadeira realidade da população brasileira: 53% da população se identifica como negra ou parda, mas são somente 26% das pessoas participantes das publicidades no país. Além disso, 48% das mulheres no Brasil estão acima do peso, enquanto 78% das mulheres expostas nos veículos de informação e propaganda são magras. Esses dados apresentados pela Pesquisa Mulheres (In)visíveis em parceria com o grupo ABC demonstram que aquilo visto por todas as pessoas em milhares de propagandas ao dia não as representa - incluindo até mesmo os próprios produtores desse tipo de mensagem. Sendo assim, a busca pela expressividade inclusiva se faz necessária como uma forma de identidade própria e criação de um sentimento de inclusão em sociedade.
Em segundo aspecto, esse sentimento de pertencimento é essencial para a ocorrência de um bom funcionamento social. Durkheim, em sua obra O suicídio, define o suicídio egoísta como sendo aquele em que a integração em sociedade do indivíduo é mínima e dificultosa, a ponto de buscar pelo término de sua vida. Nesse sentido, a inclusão de diferentes rostos e corpos nos canais comunicativos sociais pode contribuir para a diminuição nas taxas de transtornos psicológicos e alimentares causados pela enterna necessidade de se alcançar esse padrão estético irreal criado pela mídia.
Diante do exposto, se faz necessário que as grandes redes responsáveis pela criação de conteúdos publicitários façam a produção de conceitos reais e palpáveis que sejam capazes de verdadeiramente representar o seu público alvo. Isso deve ser feito pela consicentização dessa necessidade desde os estudos na graduação e por meio de uma fiscalização que promova o aspecto humanista. Assim, seria possível sonhar com a representatividade e igualdade entre os indivíduos.