A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 13/05/2021

Nos romances regionalistas ou mesmo em novelas que ambientam seus enredos em regiões específicas do território nacional há um maior envolvimento dos seus respectivos leitores e telespectadores, daquelas áreas retratadas.  Entretanto, na atualidade as publicidades no Brasil deixam de usar essa ferramenta de ligação com o público, por preconceito e falta de empatia. A partir desse contexto cabe analisar a atuação do Estado e da sociedade sobre a necessidade de aplicar a representação do povo tupiniquim em divulgações comércias.

De início, é preciso observar que a maioria das grandes marcas que utilizam-se de publicidade não têm comprometimento com o povo Brasileiro. Isso porquê, não utilizam atores e modelos que representem a miscigenação do país. Tal fato, fica evidente por meio de dados do CONAR(Conselho Nacional de Autorregulação Publicitáreo), os quais expõem que apenas 15% dos protagonistas negros em propagandas possuem traços negroídes. Dessa forma, a população negra sente-se desprestigiada e até negada como parte integrante do país. Essa realidade mostra que o Estado deve conduzir mudanças nos anúncios, de forma que eles retratem a realidade da população brasileira no tocante à tonalidade de pele, tipos físicos, gêneros e condições sexuais. Assim como a empresa de cosméticos Natura realizou em sua campanha " viva sua beleza".

Cabe, ainda, ponderar que a mudança de pensamento quanto ao “merchandising” no Brasil passa pela educação da sociedade, pois é a partir disso que ela vai poder entender que não está sendo simbolizada e reivindicar sua devida representabilidade nos comérciais. Essa representação é muito importante, pois o indivíduo ao “se assistir” em novelas, comérciais, programas de televisão ou internet, sente-se parte intregrante dessa sociedade e consequentemente, participa dela de forma produtiva. Sendo assim, é preemente uma educação baseada na criticidade, como os estudiosos Jean Piaget e Paulo Freire defendiam. Uma vez que o conhecimento é uma ferramenta de luta pelo reconhecimento.

Dessa forma, conclui-se que a representatividade na publicidade é de importância primária. A fim de se conseguir essa representação o Governo Federal deve agir em duas frentes de trabalho. Primeiramente, ele deve ampliar a fiscalização educativa do CONAR com a intenção de tornar a publicidade mais verossímel com a miscigenação, condições sociais e sexuais do país. Somado a isso, a União, captaneada pelo Ministério da Educação deve transformar as grades currículares dos centros educacionais, de modo que sigam  métodos Freirianas, pois assim as pessoas se tornarão mais críticas e atuantes socialmente. Assim sendo, as peças de propaganda irão representar as população tupiniquim, do contrário a própia comunidade reinvidicará sua exibição.