A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 12/05/2021

Karl Marx, importante pensador do século XVIII, afirma que “a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas”. Tendo em vista tal afirmação, o meio publicitário sempre foi o responsável por incentivar esta tal “valorização do mundo das coisas”. Entretanto, com o aumento de movimentos sociais que questionam a representatividade das campanhas, hoje uma propaganda não possui mais a função excluisiva de vender um produto, ela também é formadora de opinião. Desta maneira, é responsável por formar o imaginário público de acordo com as imagens que deseja reproduzir, sendo um importante apoio na luta pela igualdade.

A segunda metade do século XX foi marcada por grandes movimentos sociais, como o movimento “Black Power” e movimentos LGBT+, juntamente com o crescimento da indústria publicitária. Todavia, esses dois fatos não ocorreram juntos. A indústria publicitária sempre foi marjoritariamente branca e heteronormativa, pois esses padrões eram os padrões do seu público alvo, revelando que a desigualdade de consumo também é um sintoma da desigualdade social. Atualmente, com o alcance maior dos movimentos, por conta da digitalização dos meios de comunicação, essa pauta foi trazida a tona, impactando diretamente como grandes empresas lidam com suas áreas de publicidade e propaganda.  Sob esta ótica, hoje uma peça publicitária não pretende vender apenas um produto, ela pretende vender uma visão de mundo, por saber que seu alcance atual é maior do que a 20 anos atrás.

Há de se considerar também que com o aumento do alcance de uma propaganda, seu mercado consumidor também aumenta. Por isso, se faz necessário uma análise crítica à representatividade em propagandas. Ou seja, por mais que exista um interesse real por parte das empresas em apoiarem pautas sociais, existe também o interesse econômico, pois hoje é notório que ao abordarem tais temas, as vendas aumentam. De acordo com a pesquisa da Samsung Brasil em parceria com a Bridge Research, 80% dos brasileiros veem relevância em abordar temas como diversidade, inclusão e igualdade em suas propagandas. Portanto, é preciso ter cautela em como esse tema é abordado, para não ser banalizado e perder sua importância como formador de opinião pública.

Diante de um panorâma como esse, a representatividade em propagandas é um importante instrumento de conscientização. Contudo, é preciso que o tema seja sempre abordado de forma verdadeira e não apenas como estrtégia de consumo. A principal maneira é trazendo para a cultura da empresa a mensagem que eles passam: contratando funcionários negros e LGBTs, realizando campanhas de conscientização para antigos funcionários e também fazendo o produto chegar ao consumidor desses grupos, criando assim uma conexão verdadeira entre empresa-produto-consumidor