A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 11/05/2021
A série ‘‘Euphoria’’, da HBO, aborda temáticas de extrema importância entre os jovens na atualidade e, além disso, tem como protagonista uma mulher negra e integrante da comunidade LGBTQIA+. Diante do exposto, é notório que formas de representatividade como a citada ainda não ocupam muito espaço na mídia, o que corrobora para a constância de publicidades que omitem a variedade étnica e de gênero no Brasil. Logo, evidencia-se o preconceito ainda enraizado na sociedade e a negligência midiática.
Em primeiro plano, o preconceito entre raças fez parte do cotidiano brasileiro por alguns séculos e, apesar de não ser algo normalizado atualmente, ainda é recorrente por uma parcela da população. Nesse sentido, desde as Grandes Navegações, por volta de 1500, os nativos indígenas e os escravos africanos foram forçados a trabalhar para os portugueses, só por serem considerados inferiores ao povo europeu. Sob esse viés, há 500 anos, o cidadãos afro-descendentes e indígenas sofrem estigma racial, no qual pode ser associado à falta de representatividade na publicidade, já que quanto mais houver a omissão da variedade social, mais tardio será a cessação do preconceito.
Ademais, a negligência midiática está muito presente no cenário atual, tendo em vista que a inclusão da comunidade LGBTQIA+ ainda é baixa. Dessa forma, ‘‘Romeu e Julieta’’, de William Shakespeare, é uma peça clássica, na qual a história foi reproduzida por filmes e repassada por séculos, sendo um romance hétero idealizado por muitas indíviduos. Sob essa perspectiva, os livros e filmes publicados nos dias atuais, majoritariamente, ainda buscam mostrar um ‘‘amor ideial’’ retratado por um homem e uma mulher e, desse modo, é imprescindível notar que a publicidade tem foco apenas na representatividade de uma parte da sociedade, excluindo as diversidades.
Urge, portanto, a necesidade de uma intervenção que mitigue esse impasse na sociedade brasileira. Nesse contexto, cabe a mídia a promoção de publicidades que incluam ou que protagonizem negros e integrantes da comunidade LGBTQIA+, por meio de patrocinadores, como empresas de cosméticos -nas quais influenciam muita na representatividade negra, com produtos para cabelos cacheados e para tons de pele mais escuros- e, além disso, produções cinematográficas buscando uma maior diversidade de gênero dos personagens. Assim, somente dessa forma a problemática será solucionada e terá como finalidade a inclusão de toda variedade social.