A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 10/05/2021

Em 1948, foi adotado o Apartheid, um regime de segregação racial, na África do Sul, o qual reafirmou a superioridade de uma etnia em detrimento da outra. A exemplo desse fato histórico, o preconceito contra as minorias afetam a sociedade até os dias hodiernos, o que pode ser notado pela ausência de representatividade em anúncios publicitários, na mídia e nos padrões de beleza. Essa situação urge mudança, para que todos possam ser retratados.

A priori, a publicidade é um gênero textual que deve ser veiculado, a fim de chegar ao público alvo. No entanto, uma grande parcela dos consumidores não é devidamente representada nos anúncios e mídias em geral. Nesse sentido, segundo a constatação do sociólogo Pierre Bordieu, há um “estruturalismo construtivista”, isto é, um modelo constituído pelas principais estruturas sociais, que segrega o que não se adequa ao estereótipo criado. Dessa forma, as propagandas e outras ideias transmitidas, têm o poder de contribuir na segregação continuada ou atuar na desconstrução dos padrões ideais, por isso a importância da reflexão sobre os traços físicos e sociais que irão representar a marca e, por conseguinte, imprimir seus valores.

Nesse contexto, conforme o artigo 3° da Constituição Federal, nenhum preconceito pode ser reproduzido no país, o que é uma utopia para as minorias que sofrem com violências simbólicas, psicológicas e até mesmo físicas. Parte disso é a relatividade do que é considerado belo, que se diferencia essencialmente dos traços negros majoritários no Brasil. Assim, mesmo que de modo velado, a discriminação ocorre desde a infância com brinquedos de pele branca, magros e cabelos lisos, tal como em filmes e novelas, em que os protagonistas atendem a esse mesmo padrão, enquanto os negros, homossexuais e outros grupos minoritários são retratados de forma indiferente ou depreciada, o que contribui para o ciclo da desigualdade.

Portanto, é necessário que essa situação seja regularizada. Para isso, a mídia e as iniciativas privadas devem fazer seleções de pessoas com as características do público alvo, de modo que inclua indivíduos que contêm todos os biotipos do interesse de produções cinematográficas e de propagandas. Assim sendo, as minorias devem ter oportunidade de participar de novelas e filmes como protagonistas e papéis de destaque, bem como atuar na representatividade das diferentes pessoas que podem consumir o produto, a marca ou a ideia que será veiculada, a fim de contribuir para a desconstrução dos estereótipos e de representar o público alvo de seus produtos na totalidade.