A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 08/05/2021
Na série ‘‘Coisa mais linda’’ é retratado o racismo estrutural, bem como a representatividade negra e seu protagonismo. Ao longo da trama, a narrativa conta a vivência da personagem Adélia, que, de uma personagem negra que poderia ser apenas uma empregada, se tornou o pilar da história e dona de sua própria história, o que normalmente não acontece na mídia. Nesse contexto, não há dúvidas de que a representatividade na publicidade é um desafio no Brasil, tanto pela padronização midiática feminina e ausência de protagonismo negro.
Primeiramente, deve-se apontar a padronização midiática da mulher brasileira. De acordo com a ONU mulheres, mulheres brancas ainda representam 74% das personagens protagonistas na publicidade. Nesse sentido, a mulher retratada é fora da realidade étnica do país, sendo representada por um padrão escasso, loira, branca e olhos claros, não mostrando o real, o diverso, tangenciando as mulheres gordas, pretas, de cabelo crespo ou então, mostrando-as sempre em um papel de 3ª pessoa, com menos importância do que o homem branco.
Ademais, é fundamental apontar a falta de protagonismo negro no merchandising. Segundo Isabel Aquino, diretora da agência Heads, a publicidade brasileira é racista, sendo o protagonismo da mulher negra somente 25% na publicidade. Diante de tal exposto, observa-se que, se tem papéis mínimos de indivíduos afrodescendentes na TV, são sempre em papel de empregados, de personagens secundários, de escravos e também de criminosos, e no caso das mulheres, a sua erotização, o que dificulta mais ainda quebrar os estereótipos do negro na sociedade brasileira. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Governo, através do Ministério da Cidadania, recrute mais atores negros e com traços negroides para as propagandas do governo federal, influenciando a familia e tambem as grandes marcas a fim de que todos se sintam representados na TV e em outdoors. Assim, se consolidará uma sociedade mais aberta a diversidade e sem preconceitos, tal como afirma Isabel Aquino