A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 08/05/2021

No documentário “Transforma”, produzido pela Netflix, é retratada a vivência de transexuais nos Estados Unidos. Ao longo da trama, a narrativa revela que mais de 70% dos americanos tem contato com minorias sexuais e de gênero apenas por intermédio da mídia. Fora das telas, fica claro que a realidade em questão pode ser relacionada àquela presente no Brasil atual, em que a hipo-representação de minorias sociais na publicidade acaba por inalterar o preconceito já existente e reforçar padrões de violência.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a representação deficitária - e muitas vezes problemática - de classes já marginalizadas solidifica, ainda mais, preconceitos enraizado na sociedade. Segundo o jornal estadunidense The New York Times, transformou-se em um padrão policiais brancos enxergarem pessoas negras como possíveis criminosos. Dessa forma, é notório que o retrato de grupos étnicos não-caucasianos como pessoas “fora-da-lei” tão presente em filmes, séries e peças publicitárias consolida preconceito historicamente amalgamado na sociedade.

Consequentemente, mediante a sustentação da intolerância contra as classes marginalizadas aumentam-se os casos de violência contra essa parcela da população. De acordo com dados fornecidos pelo governo de São Paulo, a expectativa de vida de uma pessoa trans ou travesti no estado era de 35 anos, sendo o principal motivo da morte precoce o homicídio. Logo, fica claro que a omissão da mídia publicitária em representar positivamente, ou até mesmo de maneira realística, a diversidade brasileira contribui com a manutenção de preconceitos e a perpetuação da violência no país.

Portanto, é necessário que o Estado realize ações para amenizar o quadro atual. Para que publicidade torne-se um mecanismo de diminuição da opressão contra pessoas marginalizadas, urge que a Secretaria Especial de Cultura incentive, por meio de benefícios fiscais, peças publicitárias que contemplem a diversidade étnico-cultural do país. Somente assim, será possível a mentalidade de uma sociedade intrinsecamente preconceituosa, tal qual mostrada no documentário “Transforma”, seja gradualmente mudada pelo poder da mídia e da publicidade.