A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 15/05/2021

As publicidades foram criadas para atrair os consumidores e convencê-los a comprar certos produtos, e, para isso, utilizam-se de pessoas para atuarem na propaganda. Todavia, há, claramente, um padrão de indivíduos escolhidos para o papel de representar tal marca e, infelizmente, acabam por excluir uma grande parte da diversidade existente na sociedade, como negros e LGBTQIA+, por exemplo. Dessa forma, o preconceito vigente no Brasil e o interesse público associado a maneira de produção das publicidades, reforçam esse modelo de exclusão aos demais povos presentes no país.

A princípio, a discriminação para com qualquer indivíduo é um grande impasse e que precisa ser analisado. De acordo com a Constituição Federal, todos os cidadãos são iguais perante a lei, independente de sua natureza. Entretanto, a intolerância com a diversidade brasileira ainda é um grande problema na atualidade, visto que muitas pessoas ainda têm aversão ao que é diferente delas. Infelizmente, essa questão afeta, também, a forma como fazem os anúncios, pois, como a quantidade de pessoas que tem preconceito é considerável, eles desenvolvem tudo de forma a agradar essa parte da população, gerando um padrão a ser mantido na mídia, omitindo a outra parcela de indivíduos.

Outrossim, a relevância ao que o público quer ver nas propagandas também atrapalha na representatividade. Segundo uma pesquisa da “Accenture Strategy”, 83% dos brasileiros compram seus produtos em marcas com quem compartilham as mesmas opiniões. Desse modo, é possível notar o quão difícil é conseguir favorecer a todos em um anúncio, visto que, apesar da representação da diversidade ser importante, o risco daquela empresa perder consumidores é grande. Em 2017, a Natura, empresa de cosméticos, realizou um comercial de dia dos namorados em que estava presente um casal homossexual, com a finalidade de normalizar as diferenças. Muitos telespectadores aprovaram a iniciativa, por outro lado, houve, também, aqueles que detestaram, declarando, então, que nunca mais comprariam seus produtos.

Portanto, é necessária uma intervenção acerca dessa problemática. Por meio das redes sociais é mister que a comunidade que apoia a representatividade promova campanhas de conscientização, explicando sobre a importância de ter não só um, mas diversos tipos de pessoas em propagandas, a fim de convencer o povo brasileiro sobre o quão esse preconceito é desnecessário. Ademais, é preciso que os publicitários explorem mais a beleza existente na diversidade, produzindo mais comerciais com pessoas de diferentes cores, orientações sexuais, pesos etc, para que a participação delas seja mais valorizada e normalizada pelo público. Assim, casos como o da Natura não receberão mais comentários negativos, permitindo que todos sejam representados de forma igualitária.