A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 08/05/2021

O filme estadunidense de 2018 “Duplin”, retrata a vida de uma adolescente gorda e fora dos padrões de beleza estipulados pela sociedade, que decide entrar em um concurso de beleza e acaba levantando em sua comunidade a reflexão sobre a inclusão e a diversidade.  Assim como a arte, a publicidade também é um veículo importante para levar à sociedade discussões sobre a quebra de padrões e a aceitação da diversidade de gênero, beleza e cor. Portanto descontruir os ideais de protagonistas das campanhas publicitárias é um passo crucial para o aumento da representatividade em todos os meios de comunicação e na colaboração da construção de uma sociedade mais tolerante e confortável em aceitar suas características sem medo de exclusão e marginalização.

Outrossim, de acordo com o artigo 220 da Constituição Federal brasileira, é proibida a restrição de criação ou formas de expressão em qualquer meio de comunicação, ou seja, tudo o que é diverso e respeita os direitos humanos tem completa liberdade para ser exposto. No entanto, em abril de 2021 um projeto de lei do estado de São Paulo desconsiderou o artigo 220 e propôs a proibição de propagantas com alusão de gênero e orientação sexual, questionando ser prejudicial às crianças. Esse projeto de lei, não apenas tem o objetivo de censurar a liberdade das empresas de publicidade, como também impedir que diversidade seja apresentada à população nos meios de comunicação.

Além disso, a mídia ainda precisa desconstruir em suas publicidades padrões de protagonistas que não representam a população em sua maioria. Segundo pesquisas da consultoria de publicidade 65/10, 74% das propagandas no Brasil possuem protagonistas brancos, sendo o país que segundo o IBGE tem 54% da população negra. Desse modo, é importante reconhecer a necessidade de as publicidades diversificarem seus protagonistas para assim permitir que seu publico se sinta representado.

Nesse sentido, para que a representatividade na publicidade seja alcançada no Brasil, é de extrema importância que o Estado garanta a liberdade assegurada em Constituição, impedindo a formações de leis que desrespeitem a diversidade. Além disso, o Governo Federal pode incentivar a representatividade na mídia por meio da elaboração de propagandas relacionadas ao Estado com protagonistas diversos, nas quais os cidadãos se sintam incluídos e igualmente reconhecidos e respeitados independente de gênero e cor. Ademais, faz-se necessário que a sociedade seja encorajada pela imprensa a usar seu poder de fala em redes sociais para reinvidicar representatividade e criticar possíveis campanhas que as excluam. Assim, a população se sentirá cada vez mais confortável com a descontrução de padrões e abrirá espaço para a representatividade em todos os meios de comunicação, principalmente na publicidade.