A importância da representatividade na publicidade
Enviada em 08/05/2021
Em 2019, milhares de vídeos em que crianças negras apontavam para suas televisões e diziam “Olha, ela é igual a mim!” lotaram as redes sociais. Era Maria Júlia Coutinho a razão da surpresa infantil, a mais nova âncora de um dos maiores telejornais brasileiros. Hodiernamente, muito se fala sobre as pessoas que são exibidas na mídia, e o teor e consequências atreladas a isso. Infelizmente, várias parcelas da população ainda são parcamente mostradas nos meios de comunicação. Tal problemática é preocupante, pois a mídia historicamente já definiu grande impacto na vida das pessoas exibidas. Dessa maneira, faz-se necessária uma análise ao tema, a fim de que tal preocupação seja extinta.
Em primeiro plano, faz se importante destacar que a mídia já foi utilizada como manobra de manipulação de um país inteiro, e corroborou para um dos maiores genocícios da história. Na Alemanha nazista, era comum nos meios de comunicação desenhos animados, propagandas e programas que comparavam os Judeus a ratos, ladrões e outros representações negativas. O resultado disso é conhecido: o preconceito contra essa população alcançou níveis estratosféricos, o que resultou na morte de milhões em campos de concentração. Logo, é possível inferir que a mídia pode criar base para aceitação e não aceitação de povos. Além disso, o teor e contexto da propaganda desempenha papel ainda mais importante que a representação em si. É possível combater preconceitos e mudar vivências apenas mudando pequenos detalhes na tela.
Em segundo plano, é vital avaliar como são representadas as diversas raças, gêneros e sexualidades na mídia brasileira. Ainda há certa resistência ao mostrar na mídia pessoas negras ou LGBTQ+, e quando participam, são em contextos esteriotipados, de acordo com Pesquisa da Agência Heads e Onu mulheres. Tal representação apenas reproduz o senso comum e afasta a população do seu verdadeiro cerne. A população brasileira é praticamente 50% negra, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e mesmo assim quando veem uma propaganda não é si que veem. O brasileiro não se reconhece na mídia. Para dissoludir esteriótipos e tirar o desconforto dessas pessoas que vivem marginalizadas, é necessário mostrá-las como realmente são, em contextos não apenas relacionados a preconceito, mas sim a sua vivência real.
Neste interím, é basilar que o Estado, por meio de políticas públicas em conjunto ao Ministério das Comunicações intervenha de maneira ativa no teor da propaganda atual, diminuindo os esteriótipos e aumentando a participação de populações marginalizadas, a fim de que preconceitos sejam vencidos e o autoconhecimento e valorização de toda a população brasileira sejam alcançado. Com essas medidas, espera-se que as cenas vistas nas redes sociais em 2019 em relação a Maju serão comuns.