A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 07/05/2021

Um passado que não passa. Apesar dos avanços, acadêmicos e sociais, a luta pelo espaço social dos grupos vulneráveis ainda persiste. No Brasil, tal problema é recorrente e pode ser comprovado por sua pequena representatividade nas relações midiáticas. Diante da precariedade desse contexto, é necessário ressaltar dois fatores principais para a consolidação do impasse - a padronização dos estereótipos e o paradoxo democrático. Caso o país queira reverter essa situação, terá de estudar medidas firmes e eficazes de combate.

Em primeiro lugar, é indubitável que a globalização influenciou diretamente no comportamento das instituições geradoras de publicidades. Antes de tudo, é preciso afirmar que um ideal de beleza depende do contexto no qual está inserido. Com a padronização dos gostos, a mídia desenvolveu uma receita fenotípica para seus contratados, tornando, assim, a beleza objetiva. No entanto, essa não é a melhor forma de lidar com a imensa diversidade brasileira. Para Hume, o belo está associado ao sentimento, e cada ser humano possui sua singularidade emocional. Por isso, é de suma importância que os meios de comunicação consigam representar o máximo da diversidade, pois ela oxigena sonhos e reduz as discrepâncias sociais.

Outrossim, vale ressaltar que, para o senso comum, o conceito de democracia está ligado as decisões da maioria. Contudo, enganam-se. O real significado relaciona-se à equidade de direitos. De acordo com Pierre Bourdieu, grupos minoritários sofrem a todo momento com a opressão simbólica. Essa violência é refletida em vários âmbitos da sociedade, inclusive nos meios de comunicação de massa. Não há representatividade igualitária para os diferentes grupos da população. A infeliz comprovação desse fato está na pesquisa da agência Heads, a qual divulgou que o maior número atingido de protagonistas negras, até os dias atuais, é de apenas 25%. Por isso, é preciso criar alternativas capazes de romper com as desigualdades presentes.

Diante de tamanha incoerência social, as intituições midiáticas devem promover, de fato, a efetividade representativa. Esse processo deverá ocorrer pela contratação equitativa dos diversos indivíduos presentes no país, seja por orientação sexual, gênero ou etnia. Dessa forma, as crianças terão seus sonhos oxigenados pela possibilidade de ocupar o devido espaço na sociedade, com o objetivo de reduzir as discrepâncias entre as classes sociais. Quem sabe, assim, o futuro realmente irá chegar para todos os brasileiros.