A importância da representatividade na publicidade

Enviada em 05/05/2021

Na série “Pose”, a personagem Angel se torna o primeiro exemplo de mulher negra trans em campanhas de publicidade, na década de 80. Contudo, a ascensão de Angel rapidamente chega ao fim, pois a indústria de publicidade e propaganda se mostra despreparada para receber a modelo. Assim, as pessoas da comunidade negra e LGBTQIA+, antes inspiradas pelo caso de Angel, perderam as esperanças em serem representadas. Ao comparar a ficção com a conjuntura hodierna, nota-se semelhança nos desafios em atingir a importante representatividade na publicidade, em razão de um padrão de beleza sendo mais apreciado.

A princípio, é lícito destacar que a representatividade na publicidade é importante, visto que a falta dela representa apenas um tipo de beleza como almejado. Ao analisar as princesas da Disney, que são a primeira representação feminina para muitas crianças, desde 1937, é perceptível que a maioria das princesas são brancas, e as meninas de outras raças ficam sem representação. Então, a Disney apresentou a atriz Halle Bailey como a princesa Ariel, no live action que será lançado. Todavia, a escolha da atriz foi duramente criticada, por se tratar de uma mulher negra. Isso evidencia que a sociedade ainda não se encontra preparada para receber diversidade, e isso precisa mudar.

Outrossim, é possível somar aos aspectos supracitados os estereótipos como fatores que prejudicam a representatividade nas publicidades. É nítido que a sociedade tem preconceitos intrínsecos, repletos de estereótipos que diminuem as minorias a uma única característica, geralmente vista como negativa - como o gay escandaloso ou a mulher negra raivosa. Dessa forma, a imagem de pessoas diferentes do padrão estabelecido nas publicidades não é bem aceita, e, portanto, não é apoiada pelas empresas, que visam o lucro. Diante disso, é preciso que a sociedade se liberte de seus preconceitos, afinal, segundo Walter Benjamin, se não há mudança, há catástrofe.

Em síntese, a representatividade nas publicidades é, de fato, importante, mas não foi alcançada como deveria. Logo, mudanças são necessárias. A mídia deve exaltar a diversidade nas publicidades, com a contratação de modelos de outras raças e sexualidades, por meio de processos seletivos que podem ser divulgados nas redes sociais, com o objetivo de normalizar a imagem de todos os tipos de beleza nas campanhas de propagandas e na TV. Não somente, o papel da sociedade é de largar os estereótipos e os preconceitos, para facilitar outras representações que não são consideradas o padrão, por meio de debates e conversas promovidas por vozes que sofrem com a falta de representatividade na sociedade. Com essas medidas, a representatividade na publicidade se aproxima do ideal, e figuras como Angel serão apreciadas tanto quanto as princesas da Disney.