A importância da medicina humanizada para a saúde dos brasileiros

Enviada em 05/06/2022

O psicológo social Fernando Braga Costa, para defender sua tese de doutorado “A invisibilidade pública”, experimentou a vida de catador de resíduos sólidos nos arredores da Universidade de São Paulo, onde provou que as pessoas de menor renda são excluídas da coletividade. Isso, destaca-se, na sociedade contemporânea, a partir de acessos para com recursos básicos e essenciais, como a saúde, uma vez que indivíduos em estado de vulnerabilidade social são tratados com descaso, o que demonstra a inoperância estatal. Concomitantemente, observa-se que, pela ausência de uma medicina mais humanizada, o processo de automedicação é alavancado assim disseminando outra problemática.

Nesse contexto, nota-se, na sociedade contemporânea, a precariedade de acesso a recursos indispensáveis, mas, do mesmo modo, é válido ressaltar a presença de uma herança segregacionista, a qual classes sociais ínfimas são, majoritariamente, excluídas do coletivo. Nesse sentido, o geógrafo brasileiro Milton Santos, em sua obra “Cidadanias Mutiladas”, expõe que parte populacional já nasce com seus direitos desnaturalizados, isto é, além de invisíveis, são “mutilados” pelo próprio Estado. Logo, é imprescindível ressaltar que a escassez de políticas públicas é um dos fomentos para a persistência dessa desolada situação.

Outrossim, é importante destacar, por decorrência da efêmera atenção para com grupos específicos, os impactos da automedicação para a saúde do brasileiro. Nesse sentido, o documentário “Take your pills” retrata o crescente uso de remédios que, atualmente, está deixando a população doente, tanto em um contexto físico como psicológico. Assim, é indiscutível que a necessidade de práticas medicinais mais humanizadas se tornam primordiais para mitigar tal quadro de inúmeros empecilhos, como presentes na conjuntura brasileira.

Urge, portanto, ao Ministério da Saúde, junto ao Conselho Nacional de Enfermagem, expandir políticas públicas educacionais, para que estímule a construção de uma saúde com maior alteridade, por meio de simpósios acompanhados de engajamentos midiáticos, para que sensibilize a população em larga escala. Assim, como efeito, a construção de uma medicina mais humanizada para a saúde dos indivíduos poderá ser uma realidade.