A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 02/09/2021

Ao longo da história da humanidade, o conhecimento e a cultura sempre foram transmitidos às gerações posteriores por meio da oralidade e da literatura. Contudo, no mundo tecnológico atual, sobretudo no Brasil, vê-se o debate sobre a literacia familiar perdendo espaço gradativamente, o que configura um grave problema sociocultural para o país. Isso se explica não só pelo sucateamento da educação pública, mas também pelo precoce vício das gerações atuais em aparelhos eletrônicos. Assim, torna-se fundamental a análise de tais fatores para liquidar a problemática citada.

A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto das condições precárias em que se encontram as escolas públicas. De acordo com a Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico e Social, o Brasil está abaixo da média mundial no ivestimento público em educação. Nesse sentido, com a falta de verba para as escolas, há, inevitavelmente, falta de materiais escolares, de livros e de professores qualificados. Consequentemente, a criança praticamente não entra em contato com a leitura na infância e nem tem a oportunidade de, futuramente, ensinar aos seus filhos sobre esse hábito, criando um ciclo vicioso entre as camadas mais pobres. Logo, esse quadro revela que o Estado descumpre o seu papel de garantia do bem-estar populacional proposto por Thomas Hobbes.             Outrossim, a discussão em curso deriva ainda do vício prematuro em aparelhos eletrônicos. Isso porque, mediante a displicência de muitos pais em relação à criação de seus filhos, observa-se que as crianças recebem o aval parental para passar muito tempo em videogames, redes sociais e na televisão. Com isso, à medida que os livros são deixados de lado no cotidiano dessas famílias, cada vez menos a literacia familiar é praticada. Segundo Sigmund Freud, pai da psicanálise, as experiências vividas na infância influenciam toda a vida de um indivíduo. Sob tal ótica, é de se esperar que essas crianças que não desenvolvem em casa o hábito da leitura tenham mais dificuldades, ao longo da vida, para se expressar, comunicar as suas ideias e até de arranjar emprego no mercado competitivo atual.

Portanto, de modo a resgatar a importância da literacia familiar no Brasil, faz-se necessária a determinação de medidas exequíveis. Primeiramente, cabe ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com o Ministério da Educação, destinar mais recursos financeiros para as escolas públicas. Isso deve ser feito por meio do investimento na disponibilização de materiais e de bibliotecas - as quais contenham um ambiente agradável e um acervo de livros bem diverso - nessas escolas, afim de que, desde cedo, as crianças tenham acesso à leitura e possam praticar a literacia familiar futuramente. Ademais, compete aos pais ou responsáveis um maior estímulo à leitura dentro de casa, para que os jovens gastem mais tempo aprendendo em livros e menos tempo em eletrônicos.