A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 14/07/2021

“Revolução dos bichos”, “A menina que roubava livros”, “Quarto de despejo” são exemplos de livros que proporcionam senso crítico aos leitores, o qual é imprescindível dentro do processo social. À luz disso, fica clara a importância da leitura para o desenvolvimento de habilidades interpessoais. Nesse sentido, evidencia-se que, para inserir as crianças nesse contexto de bagagem literária, a família tem notoriedade quanto a esse processo. Logo, cabe analisar a relevância da literacia para a preparação da socialização e as distorções no que dizem respeito à implementação dessa prática.

Em primeira análise, é lícito postular que a literacia familiar é de suma importância para fomentar a construção social do indivíduo, haja vista sua inclusão nas habilidades sociais e comunicativas. Nessa lógica, a “tábula rasa”, conceituada por John Locke, metaforiza a absorção de experiências no processo individual da comunidade, o que remete à necessidade do vínculo familiar. Dessa forma, a socialização primária, inerente ao aspecto parental, é imprescindível para a inserção das futuras gerações na conjuntura coletiva, pois estimula a progressão do contato comunicativo, tal como a interpretação e o debate comunitário. Sendo assim, é crucial a ativa atuação familiar no estímulo literário para que o avanço intelectual possua efetividade e a tábula rasa de Locke seja positivamente preenchida.

Nesse espectro, embora a questão supracitada tenha tal destaque na formação social, enfrentam-se dificuldades frente à implementação dessa prática. Nesse sentido, o filme “Matilda” traz um cotidiano familiar em que a protagonista encontra facilidades no aprendizado sem o apoio dos pais, o que, distancia-se da realidade atual de inúmeras famílias do país. Isso é evidenciado pela violência simbólica, na qual as pessoas são afetadas pela falta de recursos e de aptidões para o desenvolvimento comunicativo. Essa abordagem, aludida pelo sociólogo Pierre Bourdieu, dialoga com a desigualdade de oportunidades no Brasil, tal como a proximidade e a disponibilidade familiar. Destarte, impactos futuros são trazidos à tona, como a falta de senso crítico dos cidadãos na construção social.

Em suma, fica evidente que a literacia familiar tem um contexto social elencado para o desenvolvimento intelectual e comunicativo. Portanto, o Ministério da Mulher, da Familia e dos Direitos Humanos deve incentivar políticas de dinâmicas de aprendizado na família, com a elucidação do projeto ativo do Governo Federal - “Conta Pra Mim”-, o qual explica a importância do contato infantil no processo literário mediante atividades de aprendizagem, ministradas por psicopedagogos contratados pelo Estado, no fito de expandir o atual programa educacional. Em adição, cabe ao Ministério da Educação viabilizar o conhecimento dessa proposta socioeducacional por meio dos canais midiáticos e de conferências. Feito isso, o senso crítico proporcionado pelos livros supracitados será expandido.