A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 16/06/2021

De acordo com a teoria da tábula rasa, elaborada pelo filósofo John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco e é preenchido de acordo com suas vivências. Entretanto, os pais não estão contribuindo para o preenchimento da folha de seus filhos, uma vez que, pouco é praticada a literacia familiar no Brasil. Sob esse viés, a negligência dos pais e a visão relacionada à escola como única responsável pela educação dos indivíduos contribuem para que esse problema persista.

Sob tal perspectiva, vale ressaltar a negligência dos pais como um dos motivadores do problema. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, a educação é incentivada e promovida com a colaboração da escola e da família. No entanto, os genitores não estão cumprindo seu papel, visto que, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51,35% dos responsáveis não verificam se as tarefas escolares dos filhos foram cumpridas. Dessa maneira, o desenvolvimento intelectual das crianças e dos adolescentes ficam fragilizados, pois, não há incentivo e nem acompanhamento ativo dos pais durante o processo. Assim, os filhos acabam desmotivados e por consequência, adquirem baixo nível de aprendizado.

Somado a isso, a ideia de que a escola é a única responsável pelo desenvolvimento educacional dos indivíduos é outro entrave que corrobora para a problemática. O sociólogo Émile Durkheim, afirma que a família é a primeira agência socializadora, sendo base das primeiras interações e aprendizados. Muitos pais pensam que uma boa escola, que ensina o indivíduo a ler e a escrever, é suficiente para que os filhos tenham uma formação ideal. Contudo, esquecem que outros fatores como atenção, participação, exemplo e envolvimento são necessários para o progresso de sua prole. Em decorrência disso, por não terem o exemplo e o incentivo desde pequenos, muitas crianças e jovens não praticam a leitura e a escrita e acabam tendo dificuldades na vida escolar.

Urge, portanto, medidas para atenuar esse revés no país. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável por disseminar conhecimento, promover campanhas que mostrem a importância e os benefícios da literacia familiar para a evolução das crianças e dos jovens, com o fito de que o vínculo entre as famílias se fortaleça e os pais possam aprender como participar efetivamente do processo educacional dos filhos. Desse modo, a teoria de John Locke, começará a se aplicar de fato na vida de muitas famílias brasileiras.