A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 04/07/2021

Na Antiguidade Clássica, era responsabilidade da família educar os filhos e os preparar para a vida em sociedade. Já no contexto contemporâneo, o desenvolvimento da capacidade crítica é entendido como dever das instituições escolares. No entanto, tais percepções são complementares, uma vez que deve haver cooperação entre o núcleo familiar e escolar para o sucesso da aprendizagem dos menores. Dessa forma, torna-se imperioso o debate acerca da importância da literacia familiar e os impedimentos para sua realização no Brasil.

Em primeira análise, é fundamental apontar os benefícios das experiências educativas em ambiente familiar. Dessa maneira, de acordo com a teoria da “Tábula Rasa”, do contratualista John Locke, a educação empírica molda o indivíduo. Nessa perspectiva, a Sociologia aponta a família como fonte primária da socialização das crianças, além da escola e do Estado. Assim, combinando tais interpretações, a família tem papel essencial nas primeiras experiências dos jovens. Nesse cenário, responsáveis mais engajados na criação não tradicional dos filhos contribuem para um conhecimento de mundo relevante no futuro das crianças.

Em segunda análise, deve-se discutir os entraves para a aplicação da literacia familiar no país. Nesse contexto, segundo Paulo Freire, educador brasileiro, a educação deve ser consequência da bagagem cultural e social do cidadão pela preparação na infância. Dessa forma, famílias em situação de vulnerabilidade social não reconhecem a importância da aprendizagem como prioridade, dado que 1 a cada 20 jovens trabalham antes dos 16 anos, o que contribui para o déficit no desenvolvimento da capacidade crítica dos jovens. Nesse sentido, apesar da criação recente de programas governamentais para a inclusão da família na educação dos filhos, o assunto ainda é desconhecido pela maior parte da população, como reportam as pesquisas do MEC. Logo, é inadmissível que esse cenário perdure.

Portanto, faz-se necessária a participação do Estado na ampliação do debate sobre a relevância da literacia familiar no Brasil. Para tanto, é dever do Ministério da Educação investir na valorização da família na aprendizagem infantil. Com esse objetivo, o MEC, em parceria com as grandes mídias, deve divulgar os novos programas do Estado de instrução familiar, como o “Conta pra Mim”, com a finalidade de informar os pais e cuidadores sobre seu papel no futuro dos filhos de forma acessível. Essa ação deverá realizada em telejornais e sites populares que exponham os benefícios da linguagem, leitura e escrita vivenciadas em família. Desse modo, a distância entre classes sociais não impedirá a formação de cidadãos conscientes e participativos, uma vez que a literacia familiar será praticada em todo país preenchendo as “tábulas rasas” e contribuindo para a educação geral.