A importância da família no desenvolvimento educacional das crianças

Enviada em 12/05/2020

No filme “O menino que descobriu o vento”, o protagonista, negro e pobre, soluciona o problema de crise hídrica em sua aldeia, após ter abandonado a escola pela falta de renda, apoiado pelo pai, que por não ter estudado, negava-se a incentivar a permanência do filho na escola. Posteriormente, seus pais passam a reconhecer a importância do estudo e permitem o jovem morar no exterior, após ter recebido uma bolsa universitária pela solução do problema. De forma análoga no Brasil, é uma situação comparável aos jovens periféricos que se veem obrigados a abandonar os estudos para trabalharem e complementarem a renda em suas casas. Embora caótica, essa situação é mutável, sendo necessário analisar porque a falta de atuação do Estado é crucial nessa problemática.

Sobretudo, é fulcral pontuar que a baixa atuação da família no incentivo aos estudos, deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que refere-se à criação de mecanismos que coíbam essas recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de ação das autoridades, pais que não tiveram acesso à escola perpetuam esse problema na hierarquia familiar, filhos e sobrinhos, por não reconhecerem a importância de estudar. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é importante ressaltar a ausência do Estado na estrutura familiar como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, é improvável que o problema seja solucionado enquanto os governantes não tomarem medidas para propiciar às famílias menos favorecidas programas para que seus indivíduos, também cidadãos, tenham a chance de continuarem estudando, independente da situação econômica dentro de suas casas. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a ausência de políticas que valorizem essas famílias contribui para a perpetuação desse quadro danoso.

Assim, faz-se necessárias medidas que contenham o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessa forma, com intuito de mitigar a baixa reconhecimento dos estudos na família brasileira, necessita-se que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido em programas que estimulem a permanência do jovem na escola, através de políticas de bolsas estudantis para centros educacionais privados e rendas mensais para as famílias menos favorecidas, permitindo que os que se encontram em fase escolar permaneçam na escola e ajudem suas famílias, mesmo sem idade para trabalharem formalmente. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos da baixa atuação da família, e mais jovens terão um destino similar a do garoto que descobriu o vento.