A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 18/09/2021

O filme brasileiro “Até que a Sorte nos Separe” narra a história de uma família que enriquece de forma repentina e acaba perdendo tudo devido às más-escolhas e à falta de educação financeira. Não tão distante da ficção, a realidade financeira do brasileiro é semelhante, considerando o seu alto nível de inadimplência. Nesse contexto, a educação financeira, frente de combate ao problema, avançou na última década. No entanto, apesar desses avanços, o seu impacto positivo se revela apenas em longo prazo na sociedade, necessitando portanto, de maior intervenção para transformação social.

O brasileiro padece de uma situação financeira desafiadora: o número de inadimplentes no país cresceu em 11 milhões de 2012 a 2019, como mostra pesquisa do Serasa. Esse perfil financeiro estimulou o MEC a criar em 2010 a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), que insere o conhecimento sobre finanças de forma contextualizada em todas as disciplinas na educação básica. No entanto, o impacto dessa política ainda não é visível como esperado. Isso se comprova com os dados do Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA) de 2018, que mostra o Brasil em uma das últimas posições acerca de conhecimentos dos estudantes sobre a educação financeira. Tal cenário ocorre porque a população jovem que recebe esse conhecimento ainda não é economicamente ativa, o que justifica o baixo impacto de uma nova mentalidade financeira na economia nacional. Soma-se a isso o fato de que a população de fato economicamente ativa não teve acesso a esses conhecimentos, o que prolonga o problema até que a ENEF seja de fato eficaz.

A adesão à educação financeira é assertiva em proporcionar o bom desenvolvimento de uma sociedade. Isso porque ao se desenvolver as competências financeiras adequadas, é possível formar consumidores conscientes, capacitados a entender não só o sistema monetário nacional, como também o de outros países. Todo esse contexto facilita o conhecimento de mundo e o desenvolvimento de uma consciência crítica política e econômica. Sem contar que, com o consumo consciente a inadimplência diminui e há o consequente incremento na economia nacional.

É incontroverso: a educação financeira obteve seus avanços no Brasil. Entretanto, é necessário alcançar maiores esforços para uma mudança duradoura na mentalidade financeira do brasileiro. Para isso, é necessário que o MEC fiscalize a aplicação da ENEF em todo o território nacional, seja em escola pública ou privada, a fim de acelerar o processo de mudança na vida dos estudantes. Em outra frente de combate ao problema, cabe ao Governo Federal divulgar à população economicamente ativa, por meio da mídia nacional, todas as ferramentas de gestão financeira disponibilizadas por plataformas digitais a fim de ensinar na prática como exercer uma gestão financeira saudável.