A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 24/11/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal do Brasil garante a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Contudo, hodiernamente, nem toda população desfruta desse direito na prática, à medida que parte da educação, a financeira, não é considerada importante na vida do cidadão. Nesse contexto, tal problemática merece atenção, pois possui como causas não só a falta de leis que regulamentem a inclusão dessa disciplina na grade básica de ensino, como também a atitude passiva de grande parte dos cidadãos em não cobrar de seus governantes que essa lei possa ser implementada.
Em primeiro lugar, é indubitável que a questão legal e a sua correta imputação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a Lei deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Antagonicamente, é possível perceber que, no Brasil, a falta de mecanismos legais que regulamentem o ensino de economia financeira na escola rompe essa harmonia, haja vista que quase 66% da população economicamente ativa encontra-se endividada por não ter instrução de como sair dessa situação, segundo pesquisa veiculada na revista Você S/A de 2016.
Outrossim, destaca-se como impulsionador do problema, a falta de motivação social para cobrar de seus líderes mudanças nesse cenário. De acordo com o sociólogo francês Durkheim, o indivíduo só poderá agir à medida que aprender a conhecer o contexto em que está inserido. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o brasileiro pouco percebe quão necessário é a educação econômica, conforme revela uma pesquisa publicada na revista Veja de 2014, em que menos de um terço das crianças do ensino fundamental teriam interesse em substituir parte do tempo da disciplina de educação artística para também aprenderem economia doméstica. Sendo assim, é esperado que os soberanos da nação permaneçam alheios a essa controversa, visto que o público se mantém calado pela indiferença.
É evidente, portanto, que a desvalorização da educação econômica na vida do cidadão é um problema que precisa ser mitigado. Destarte, cabe à população cobrar do Poder Legislativo a criação de uma lei que normatize o ensino da educação financeira nas escolas, por meio de um abaixo assinado nacional, com ampla divulgação nas mídias televisivas e digitais, assim como nas próprias escolas, templos religiosos e outros locais com grande afluxo de pessoas. Somente assim, os líderes verão o interesse das massas em resolver essa mazela e, por conseguinte, mover-se-ão para tal, tornando real o direito constitucional à educação.