A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 24/11/2020
Os reflexos das crises de 1929 e 2008 sobre a sociedade refletem o despreparo da população quanto a gestão de sua renda. O Brasil tem uma grande deficiência em relação a educação financeira, tal fato ficou evidente com os efeitos das medidas adotadas para o controle da Covide-19. Nesse sentido, a educação financeira pode ser uma ferramenta para minimizar o impacto, na vida das pessoas, de um eventual problema econômico.
Primeiramente, é notório o despreparo de parte da sociedade em relação à gestão de suas finanças. Segundo pesquisa do Banco Central, de 2019, 69% dos entrevistados afirmaram não ter poupado sua renda nos últimos 12 meses. Isso se deve à cultura de consumo imediatista, que impossibilita o cuidado com o orçamento, o que pode aumentar a inadimplência e desequilibrar o sistema financeiro. Como ocorreu nos Estados Unidos em 2008. Isso ocorre pois sem haver uma reserva esses indivíduos ficam expostos as oscilações do mercado.
Em segundo lugar, a forma de gerir se adequa a cada renda. Entretanto, no Brasil essa prática é um privilégio de poucos, haja vista que a educação financeira não é apenas uma questão matemática, envolve também questões sociais e culturais. Logo, pessoas a margem da sociedade acabam sofrendo pela falta de conhecimento para gerir o pouco que tem e, ao mesmo tempo, são excluídas por não consumir. Tal fato vai ao encontro da visão de consumismo de Sigmund Bauman sobre o consumismo, no sentido de quem não consome ser excluído, humilhado.
Portanto, a educação financeira é importante para o indivíduo e para a sociedade. Assim, é necessário que as escolas coloquem em prática a educação financeira, inserida na Base Nacional Curricular. A matéria pode ser abordada de forma multidisciplinar, relacionando a fatos cotidianos e ao contexto social e cultural dos alunos. Os pais podem participar introduzindo a mesada, pois exemplifica em questões simples como poupar para comprar um brinquedo, por exemplo. Pois como disse Machado de Assis, “dinheiro não traz felicidade - para quem não sabe o que fazer com ele”.