A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 24/11/2020
A partir do ano de 2020, tornou-se obrigatório no Brasil o ensino da educação financeira nos anos inicias escolares. Essa obrigatoriedade é advinda, em sua maior parte, da percepção da importância do controle de gastos dentro dos lares brasileiros, em razão do forte endividamento da população, o qual é causado pelo contexto de desigualdade em que o país se insere.
Em um primeiro plano, é imperioso destacar o expressivo descontrole de gastos de trabalhadores no país. Segundo Durkheim, um fato social é algo exterior aos indivíduos, que se repete em muitos e forma uma realidade específica. Essa análise vai de encontro com o constante crescimento do número de pessoas endividadas no Brasil, visto que, segundos dados do SPC, mais de 60 milhões de sujeitos encontram-se com o nome sujo. Logo, não havendo qualquer instrumento de mudança efetiva, essa realidade tende a permanecer como está, pois como aponta Durkheim é algo exterior e tem uma forma de coerção, que a normatiza, ao invés de considerá-la patológica.
Outrossim, o capitalismo também pode ser citado como uma das razões para a problemática. O sociólogo Karl Marxs, diz que um dos sustentáculos do capitalismo é a disparidade econômica e a crise dos mais desfavorecidos. Comprovando essa tese, a título de exemplo, a maioria da população brasileira sobrevive com um salário mínimo, o qual é equivalente a uma cesta básica, o valor médio do aluguel, água, luz e mais uns poucos trocados. Com isso, as pessoas precisam se ver encontradas em parcelas, as quais geram juros e afins e são o carro chefe de arrecadação de dinheiro de monopólios bancários e conglomerados da mesma espécie. Deste modo, o capital se sustenta dessa situação e pessoas se encontram cada vez mais com dívidas. Inegavelmente é indispensável um instrumento, como a educação sobre o assunto, para minimização desse contexto.
Portanto, é necessário a atuação do Ministério da Cidadania na promoção de ensinamentos com relação a vida financeira dos cidadãos. Isso pode ser feito com a criação de cursos presencias e onlines que abarcarão o controle de finanças dentro de uma família. Para acrescentar, pode-se desenvolver com o Ministério da Educação editais com bolsas a projetos de extensão em universidades públicas que tenham como objetivo criar materiais a serem utilizados dentro dos já citados cursos que serão oferecidos. Ademais, organizações filantrópicas, principalmente aquelas que estão dentro de áreas mais periféricas, devem atuar também fornecendo as aulas e espaços que detém. Com efeito, será possível levar educação financeira a sociedade e atuar para a mitigação da atual conjuntura, permitindo a redução do endividamento.