A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 08/11/2020
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, econômicas e políticas é característica da “Modernidade Líquida”, iniciada no século XX. Esse cenário, marcado pela ausência da ideia de contenção e de pensamentos a longo prazo, ainda é possível ser observado nos dias atuais, inclusive em questões que evidenciam a necessidade do entendimento financeiro para a harmonia individual e coletiva. Nesse contexto, ganha destaque a análise das importâncias da educação financeira no Brasil, intrinsicamente relacionada a fatores político-estruturais e culturais.
Em primeiro lugar, é indubitável expor a vitalidade do tema em destaque e abordar seu entrave político. Nesse sentido, a educação financeira é o ensinamento de como gerenciar e assegurar o bom uso do dinheiro. Dessa forma, evidencia-se a ilustre importância dessa matriz teórica na vida dos brasileiros. Embora vital para a cidadania, a Constituição Federal de 1988 não possue leis que exijam o ensino obrigatório desse conteúdo nas escolas. Isso acontece devido à esquematização histórico do ensino, sempre pautada em conteúdos tradicionais, e não em assuntos que possam aprimorar o entendimento de vida. Em outras palavras, esse método tradicional de ensino fez com que as diretrizes interativas ou saberes cotidianos nunca fossem abordados pelas instituições escolares e vistos como irrelevantes. Dessa maneira, a instrução econômica eternizou-se como secundária e até mesmo ineficaz, corroborando o analfabetismo financeiro.
Em segundo lugar, é imprescindível destacar o lado cultural perante o tema. De acordo com os teóricos da Indústria Cultural, todos os produtos são feitos com o viés de ludibriar a população e de torná-la dependente da compra. De fato, o sistema econômico atual é marcado pelo intenso fluxo comercial, o qual comprar tornou-se sinônimo de felicidade. Isso é alavancado à medida que os cidadãos não possuem informação e discernimento econômico, dado que o conhecimento financeiro não é universal e pouco divulgado nas mídias sociais. Assim, os indivíduos utilizam a tristeza como pretexto para adquirir novos bens consumíveis, de forma a utilizar o dinheiro sem lógica e totalmente impulsionados pela alienação do sistema vigente.
Portanto, medidas são necessárias para modificar esse panorama alienador. Sendo assim, cabe ao MEC (Ministério da Educação) – importante instituição para o país – desenvolver, nas escolas públicas e privadas, o ensino obrigatório de educação financeira. Isso pode ser feito por meio de debates e atividades interativas entre os alunos que contenham o aprendizado didático dessa fundamental matriz teórica. Essa ação deve ser feita a fim de reduzir o analfabetismo financeiro no Brasil, além de afastar os jovens da alienação capitalista discutida pela Indústria Cultural. Ademais, urge que o Ministério da Economia faça palestras educativas sobre esse assunto nas cidades, que façam os cidadãos refletirem a respeito dessa dimensão informacional. Como resultado, garantir-se-á o combate à liquidez contemporânea, teorizada por Bauman.