A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 22/11/2020
Segundo a Constituição Federal de 1988, no seu artigo 205, a educação é direto de todos e dever do Estado e da família. Entretanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que a ausência de uma educação financeira qualificada na vida do cidadão configura-se como falha no princípio de isonomia, devido sua grande importância. Sendo assim , percebe-se que tal problemática persiste intrínseco à realidade brasileira, seja pelo descaso governamental, seja pela sobreposição de interesses individuais.
Em primeira análise, a negligência estatal é um fator determinante para a persistência da problemática. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Destarte, a falta de efetivação da lei que inclui a educação financeira na grade curricular contribui para que as pessoas não tenham acesso a uma importante formação educacional, e assim como proposto pelo pensador, suas visões serão limitadas, o que dificulta à erradicação do problema. Portanto, os indivíduos ao não obterem essa acessibilidade acabam por se tornarem suscetíveis a problemas econômicos: endividamento, falência e desemprego.
Em segunda análise, o pensamento individualista na sociedade apresenta-se como outro fator que influencia na dificuldade de efetivação da educação financeira no Brasil. Tal conduta é tematizada na obra “Raízes do Brasil”, pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, em que o brasileiro é, desde a colonização, marcado por um individualismo exacerbado que o leva a se apropriar do público para fins particulares. Por conseguinte, esse comportamento egoísta, motivado pela constante busca por prazeres instantâneos, uma vez que o indivíduo está mais preocupado em gastar do que em economizar ou investir, contribui para o aumento da corrupção no meio social e político, o que pode acarretar em uma crise econômica no país com o crescimento da dívida externa brasileira.
Diante dos fatos mencionados, é necessário então que as famílias, em parceria com a liderança dos bairros, exijam do poder público o cumprimento da grade curricular nas escolas públicas e particulares. Essa exigência deve se dar por meio da produção de ofícios e cartas de reclamação coletivos, com a descrição de relatos de pessoas da comunidade que sofrem com a falta dessa educação financeira, a serem entregues nas prefeituras, para que assim os princípios constitucionais sejam cumpridos. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops” no âmbito escolar, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas financeiros e para o equilíbrio econômico no país. A partir dessas ações, possa ser possível construir um país de que Schopenhauer pudesse se orgulhar.