A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 29/09/2020

Considerado por muitos como o maior nome da literatura brasileira, Machado de Assis afirmava que “dinheiro não traz felicidade - para quem não sabe o que fazer com ele”. Parafraseando essa máxima, com um bom planejamento, é possível estabelecer uma linha tênue entre dinheiro e felicidade. Nesse contexto, tem-se a importância da educação financeira, a qual infelizmente, ainda é considerada uma utopia para muitos brasileiros, dado a falta de debate sobre o tema em instituições educacionais, e a influência familiar. Portanto, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, no intuito de acentuar a importância de tal para a sociedade.

É elementar que se leve em consideração o pensamento kantiano, o qual afirma que “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”. Sob esse viés, é inegável o papel das instituições educacionais na formação do ser humano. No entanto, no Brasil, poucas são as escolas que têm se preocupado em incluir em seu planejamento assuntos relacionados com a educação financeira. Como consequência, as pessoas saem das escolas sem ideia de como agir na sociedade de consumo, e acabam se tornando indivíduos consumistas, que não programam suas despesas, e não sabem investir adequadamente. Destarte, como posto por Thiago Nigro em seu livro “Do Mil ao Milhão”, lidar com o capital demanda entendimento do assunto.

Atrelado a isso, a influência familiar é um fator relevante para a problemática. Como posto por Émile Durkheim, “o homem, mais do que um formador da sociedade, é um produto dela”, ou seja, o homem é produto do meio onde vive. Analogamente, para que uma sociedade seja educada financeiramente, as finanças devem receber dos responsáveis, a mesma atenção que “por favor” e “obrigado” em casa, haja vista que essa educação desenvolve habilidades críticas que ajudam a colocar objetivos de vida ao alcance e fortalecer a economia do país. A exemplo disso, tem-se o aclamado filme de Martin Scorsese, “O Lobo de Wall Street”, o qual apesar de gerar controvérsias, propõe a ideia de que nem todas as pessoas nascem predestinadas ao sucesso, mas com ambição e objetivos, é possível obtê-lo. Dessa forma, pais devem passar ensinamentos como esse aos seus filhos.

Dado o exposto, é imprescindível que os cidadãos brasileiros recebam uma educação financeira. Para isso, urge que o Ministério da Educação (MEC), implemente aulas de educação financeira no currículo escolar obrigatório, as quais, devem ser realizadas de forma dinâmica, por meio de palestras, debates, análise de dados e entendimento do funcionamento da bolsa de valores. Dessa forma, haverá a formação de indivíduos inalienados, que paradoxalmente a Machado de Assis, saberão fazer bom uso do dinheiro, promovendo a linha tênue entre esse, e a qualidade de vida.