A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 15/09/2020

Na obra pré-modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superados alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, é provável que o major Quaresma desejasse pôr fim às adversidades provenientes da ausência de educação financeira, lamentáveis falhas que atentam contra o direito de ir e vir. Esse cenário perdura, principalmente, pela inobservância do Estado somada à postura conivente dos cidadãos já familiarizados com o problema.

A princípio, a Constituição Cidadã de 1988 garante vida digna de qualidade à todos os cidadãos brasileiros, todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo verifica-se que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil à medida que à educação financeira não se faz presente nas escolas públicas brasileiras, fazendo que perdure um cenário de endividamento precoce entre os jovens, pois ao não serem alertados, correm um grande risco de se tornarem inadimplentes precocemente, fazendo os direitos permanecerem no papel.

Outrossim, nota-se que aceitar a ausência da educação financeira é banalizar o mal. Segundo o Índice Integrado de Desenvolvimento Social (IIDS), lançado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 24% dos jovens entre 14 e 18 anos possuem cartão de crédito sem ter maturidade para adquirir crédito e controlar os próprios gastos. A precariedade da educação monetária faz com que os jovens cheguem à fase adulta endividados, dificultando a conquista da cidadania plena. Porém, parte da sociedade tem aceitado esse quadro crítico sem questionar. A naturalização desse problema pode ser explicada a partir dos estudos da filósofa Hannah arendt, visto que, devido a um processo de massificação, as pessoas estão perdendo a capacidade de julgar o que é certo e o que é errado.

É evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas a fim de solucionar o problema. A princípio, o Governo entremeado com as prefeituras, devem disponibilizar através de uma flexibilização na grade curricular de todo o alunado, de modo a trazer de forma transversal - isto é, envolvendo outras disciplinas além da matemática, a educação financeira no âmbito escolar.  Outrossim, a Receita Federal, em parceira com o Ministério da Cidadania,  deve investir em projetos que promovam a informação da sociedade e à importância de fazer investimentos seguros com o dinheiro desde à adolescência. Assim, com Estado e sociedade civil unindo forças em prol de um país mais justo e humano, o sonho ufanista do major Quaresma estará mais próximo de tornar-se realidade.