A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 14/09/2020
Somente em 2018 foi aprovado um projeto de lei que, até o fim de 2020, tornará obrigatório o ensino de educação financeira nas escolas brasileiras. Tal proposta, embora tenha sido empregada com atraso, é bastante valiosa, uma vez que segundo o Serviço de Proteção ao Crédito há um aumento crescente no número de inadimplentes desde 2018. Nessa perspectiva, vale a pena analisar a importância da instrução financeira, assim como os fatores socioeducacionais que ilustram tal conjuntura.
Torna-se relevante, de início, uma caracterização do cenário nacional hodierno, dado que ainda não teve início a implementação do projeto citado anteriormente. Nesse contexto, a educação pública enfrenta, historicamente, baixos investimentos e contínuo descaso governamental, o que a torna desqualificada e ineficaz. Logo, deduz-se que, sob óptica, somente criar um projeto de lei não é suficiente, uma vez que não há uma estrutura rígida que possa apoia-lo. Segundo Paulo Freire a educação é um fator de mudança social imprescindível. Dessa forma, se existe um anseio pela implementação da educação financeira, antes de qualquer coisa deverá existir investimentos direcionados especificamente para o melhoramento do sistema educacional. Decerto, ensinar a população sobre como administrar o seu dinheiro é algo fulcral, principalmente em economias instáveis.
Ademais, embora essa mudança na Base Comum Curricular apresente resultados em longo prazo, esses estarão diretamente relacionados ao nível de qualidade de vida. Infelizmente grande parcela da população ainda é leiga acerca de assuntos relacionados a investimentos, sobre quais instituições devem buscar ou o melhor tipo de investimento para o seu perfil. Com isso, nota-se certo fator alienante, visto que um estigma foi criado. Dessa maneira, muitos acreditam que Bolsa de Valores ou Tesouro Direto são ferramentas extremamente complexas e inacessíveis, o que acarreta num uso desfuncional da renda, seja ela grande ou pequena. De fato, se esse ciclo não for interrompido, a inadimplência tenderá ao aumento e a integridade do corpo social permanecerá fragilizada.
Entende-se, portanto, que a educação financeira é um importante aspecto na manutenção da cidadania e medidas devem ser tomadas. Destarte, o Ministério Público deverá pressionar o MEC para que invistam maiores alíquotas do dinheiro público no melhoramento do sistema educacional, com o fito de que a medida pública que visa a inclusão do ensino financeiro seja funcional e possa colaborar, no futuro, para a diminuição das disparidades socioeconômicas no Brasil. Além disso, por intermédio de campanhas exibidas na TV aberta, em horário de máxima audiência, o MEC deverá financiar campanhas que estimulem a busca por conteúdos educativos, como o Blog do Primo Rico.