A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 17/09/2020
Em “Até que a sorte nos separe” - filme brasileiro de 2012 - é apresentado uma família que fica milionária após ganhar na loteria. Entretanto, eles passam a ostentar e a consumir tudo o que sempre quiseram, sem programar um futuro, o que os leva a falência depois de 15 anos. Fora da ficção, nota-se a importância da educação financeira na vida do cidadão brasileiro e as consequências de sua ausência, como o aumento da inadimplência nacional. Diante disso, é fundamental analisar o atual panorama para desconstruir essa realidade tupiniquim.
Em primeira plano, é imperativo salientar a relevância do planejamento monetário mediante ao consumismo vigente na sociedade contemporânea, embora essa preparação não seja recorrente entre os cidadãos. Sob esse viés, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), define-se como Educação Financeira o processo em que o indivíduo faz escolhas consciente e se mantém bem informado a respeito da economia. Nesse sentido, a ausência de programação e de organização financeira gera consumidores inconscientes, os quais são facilmente manipulados pela compra compulsiva e, muitas vezes, desnecessária, o que demonstra a desestabilidade e o despreparo pecuniário.
Como consequência do não planejamento financeiro, evidencia-se o aumento do número de indivíduos inadimplentes, ou seja, que descumprem alguma obrigação monetária. Isso é afirmado, pois, dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostram que, em 2019, mais de 63 milhões de brasileiros estavam com o nome negativado. Dessa forma, essa problemática também compromete as contas públicas, uma vez que essa falta de organização financeira individual afeta coletivamente a sociedade, haja vista a crescente inflação no país. Logo, convém ressaltar projetos como o “Nath Finanças” - canal do YouTube - que ensina as pessoas, em especial os jovens de periferia, a gerirem suas próprias economias, com vista na realidade desigual do país.
É urgente, portanto, que o Estado - principal responsável pelo desenvolvimento e pelo equilíbrio econômico nacional - elabore, atrelado ao Ministério da Educação, um projeto de alfabetização financeira nas escolas, por meio da adoção de aulas obrigatórias sobre planejamento monetário e sobre a economia brasileira, além de gincanas educativas e dinâmicas, com o intuito de desenvolver indivíduos mais conscientes financeiramente. Ademais, para que a educação monetária atinja grande parte da população economicamente ativa no Brasil, as autoridades federais deverão, juntamente com as mídias comunicativas, abordar as consequências da não organização financeira, por meio de rádios e programas televisivos, a fim de escapar do apresentado em “Até que a sorte nos separe”.