A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 02/09/2020
O conceito de entropia, da física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, no que concerne à importância da educação financeira na vida do cidadão, percebe-se a configuração de um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no que tange à problemática da educação financeira, que persiste no corpo social devido à ignorância familiar sobre o assunto além das raízes consumistas da sociedade globalizada.
Em primeira análise é indubitável que pais com pouca instrução financeira não conseguem mensurar a importância do assunto para os filhos. Segundo Émile Durkheim: “A educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta”, ou seja, o indivíduo é construído socialmente a partir de suas experiências. Nesse sentido, se a família não tem a cultura de ensinar sobre educação financeira às crianças, elas crescem acreditando que o assunto é irrelevante. Em decorrência disso, o número de cidadãos endividados e que não sabem lidar com o dinheiro tende a crescer, como mostra um levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito que afirma que 62 milhões de brasileiros terminaram o ano de 2018 com o nome negativado em razão da falta de planejamento financeiro e do acúmulo de dívidas.
Por outro lado, necessita-se analisar como o consumo exagerado influencia na problemática em questão. Isso porque o consumismo consiste na ação de comprar excessivamente e sem necessidade, comportamento motivado, em especial pela ação da mídia através das incisivas campanhas publicitárias nos meios de comunicação e pela precariedade da educação financeira. Nesse aspecto cabe mencionar o pensamento do filósofo Zigmunt Bauman que afirma que o problema da sociedade contemporânea não é consumir, mas sim o desejo insaciável de continuar consumindo. Por consequência disso os indivíduos tendem a aumentar os gastos supérfluos e postergar os essenciais, evidenciando assim a falta de planejamento econômico.
Logo, cabe ao Governo Federal em parceria com as prefeituras municipais realizar projetos sobre organização financeira, por meio de campanhas com profissionais capacitados, com o objetivo de instruir os adultos, para que esses possam instruir os jovens. Além disso, a mídia deve estimular práticas de consumo consciente e inteligente dentro das condições financeiras de cada indivíduo. Dessa forma, educação financeira no Brasil deixará de ser considerada um problema entrópico e os indivíduos passarão a ter controle da sua vida financeira.