A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/10/2020

Ponte sob abismos

A Grande Depressão de 1929 ou a crise de 2008 não foram as únicas responsáveis por abalar a economia global, sobretudo brasileira. Precedido deles está a má educação financeira do cidadão, principal responsável por potencializar o consumismo exacerbado e endividar milhões de brasileiros. Desse modo, faz-se necessário fornecer a população, especialmente a juventude que acorda o gigante e movimenta a economia, uma arma que transforme essa realidade, mas qual seria essa?

Entre 2017 e 2018 o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) constatou que cresceu em 2 milhões o número de brasileiros com o CPF negativado. Esse aumento exponencial, de acordo dados da revista Science, é consequência, em parte, da Indústria Cultural, conceito desenvolvido pelos sociólogos Theodor e Max, que explicita o modo como a arte e a cultura utilizam-se das técnicas do sistema capitalista para induzir uma aparente necessidade de consumo na população. Dessa forma a obsolescência programada abre espaço para o endividamento e para problemas socioeconômicos de longo prazo, como o aumento da desigualdade social ou da taxa criminal no Brasil.

Com base nessa assertiva, um estudo da ONU mostrou que para combater tal problemática e transformar a realidade da sociedade pós-moderna, é condição “sine qua non” armar os jovens com educação financeira. Uma vez que a intervenção em crianças e adolescentes muda o comportamento geracional, para quebrar o ciclo da inadimplência fazendária do cidadão adulto é preciso trabalhar a formação econômica da juventude. Partindo dessa égide, a nação verde e amarela adotou em sua Base Nacional Comum Corricular (BNCC) tal conteúdo, entretanto, decorrente disso formou-se um novo desafio: capacitar os profissionais da educação para a obtenção de resultados promissores.

Em consonância com essa visão e como filosofou Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Partindo dessa máxima, promover a educação financeira no âmbito acadêmico é de suma importância para um maior desenvolvimento socioeconômico da nação. Para isso é necessário a capacitação dos docentes por meio de cursos preparatórios, palestras e seminários que devem ser disponibilizados em cada estado pelo Governo Federal ou por políticas públicas oriundas do Legislativo. Só assim os filhos da pátria amada dirão adeus aos abismos do consumo desenfreado e do nome negativado, construindo sob os mesmos, pontes de educação.