A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 25/08/2020

Em “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas, em que o povo trabalha em conjunto para superar todos os impasses. No entanto, fora da ilustre produção literária, com ênfase na sociedade brasileira hodierna, nota-se o oposto dos ideais de Platão, uma vez que a educação financeira representa um obstáculo de grandes proporções. Desse modo, faz-se vital analisar as principais causas da problemática: mentalidade coletiva de consumismo exacerbado e o descaso estatal, intrinsecamente ligado a aspectos político-estruturais.

A priori, vale ressaltar que a mentalidade consumista da sociedade é ratificada por fatores culturais. Decerto, ao seguir a teoria marxista de que os meios de produção determinam a forma de agir e pensar do ser humano, é notória um círculo vicioso de consumo excessivo, influenciado socialmente e psicologicamente pela engrenagem capitalista, a qual unifica as ideias e dominas os sujeitos. Nesse ínterim, é propício um cenário de habitantes inadimplentes, os quais não sabem administrar o próprio dinheiro e contribuem  para um país economicamente crítico. Sob esse viés, segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), mais de 62% milhões brasileiros encerraram o ano de 2018 com o nome sujo. Dessa forma, é indubitável a necessidade fecunda de mudança dessa realidade distópica.

Sob outro prisma, como Durkheim propôs no conceito de Anomia Social, quando um grupo não exerce sua função, há um desequilíbrio na coletividade. Nessa perspectiva, embora a educação seja um direito de todos os cidadãos e dever do Estado, assegurado constitucionalmente no Art. 205 da Carta Magna, há um descaso quanto ao incentivo e promoção da educação financeira no Brasil, no qual o poder público se mostra míope as condições evidenciadas e não disponibiliza projetos de lei para dá assistência aos inadimplentes, corroborando, consequentemente, para seu estado de negligência com a nação e com os direitos essenciais. Diante disso, as autoridades, com urgência, precisam alterar o seu posicionamento diante desse impasse.

Por conseguinte, virtude sob a perspectiva filosófica aristotélica é ter autocontrole e altruísmo. Nesse contexto, o Ministério da Educação, órgão fundamental para formação de cidadãos instituídos de ética,  deve introduzir, mediante investimentos governamentais, a educação financeira como disciplina extracurricular na ementa educacional de estudantes do ensino fundamental e médio, a fim de investir na construção de uma consciência econômica responsável de jovens e adultos, e assim, corrigir o estado de “Anomia Social”. Ademais, cabe ao Poder Executivo, juntamente com ONG’s e Associações de Bairro, realizar palestras e debates sobre o a importância do planejamento tributário, com intuito de ajudar os cidadãos endividados a  “limparem” seus nomes e, assim, alcançar o bem-estar social.