A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 28/07/2020

Segundo Maquiavel “não há nada mais difícil ou perigoso do que tomar a frente na introdução de uma mudança”. De fato, constata-se a inércia da sociedade em relação à devida importância da educação financeira e suas contribuições para a vida dos indivíduos. Com efeito, é preciso analisar os entraves que englobam essa problemática, a qual persiste influenciada pela carência de discussões produtivas sobre suas causas e também pela ausência do Estado.

Em primeiro plano, a escassez de debates férteis evidencia-se como responsável pelo problema. Nesse sentido, o filósofo alemão Jürgen Habermas ensina que por meio dos regimes democráticos da Modernidade podem-se criar diálogos e participações - sob a lógica da autoanálise - capazes de estabelecer a harmonia entre interesses individuais e coletivos. Entretanto, no Brasil, ocorre o silenciamento diante da importância da educação financeira, o que emerge como origem da problemática e corrobora sua manutenção. Dessarte, por dedução analítica, um amplo debate social se impõe para atuar nas raízes da questão.

Em segunda análise, é fundamental observar a omissão estatal como fator dificultador. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por organizar a sociedade e garantir o bem-estar comum. Contudo, devido à falta de atuação dos escalões de governança, a  educação financeira não é fomentada, fato que expõe as pessoas a dívidas pecuniárias e impede o pleno exercício da cidadania por significativa parcela da população. Dessa maneira, a estabilidade social é mitigada e garantias básicas, cerceadas.

Urge, pois, que medidas estratégicas sejam adotadas. Assim, o Ministério da Educação - em conjunto com a iniciativa privada - deve incentivar a leitura de livros que abordem a educação financeira, por meio de exposições e mostras culturais abertas ao público e que divulguem as obras, para que seja exposta a relevância do debate acerca do problema. Ademais, os professores podem realizar o processo mediador entre as questões que envolvem a temática e a sociedade civil.