A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 19/07/2020
No livro “Admirável mundo novo”, o escritor Aldous Huxley retrata uma sociedade em que seus integrantes são destituídos de uma consciência crítica, impedindo as percepções acerca dos problemas sociais que os circundam. Contudo, essa postura alienada não se restringe à obra distópica, já que, no Brasil, alguns setores políticos e sociais não têm compreendido efetivamente a gravidade, por exemplo, da ausência de uma educação financeira, dificultando, assim, a sua resolução. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no país.
De início, pontua-se que o Poder Público apresenta-se negligente ao não incentivar a educação financeira. Isso porque há uma deficiência no processo de conscientização, uma vez que faltam campanhas que estimulem, no seio familiar, o debate acerca do gerenciamento das finanças, o que compromete a orientação, principalmente das crianças, ao uso consciente do dinheiro, podendo acarretar, futuramente, em uma maior vulnerabilidade à inadimplência. Vê-se, então, que o Estado não tem garantido o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.
Ademais, enfatiza-se que aceitar a falta de uma educação financeira é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado uma certa resignação diante da ausência, nas escolas, de aulas e projetos educativos que ensinem os alunos, por exemplo, a investirem suas finanças, prejudicando, consequentemente, o estímulo ao empreendedorismo. Constate-se, com isso, que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social exerce influência sobre os indivíduos, fazendo com que percam a capacidade de distinguir o que é ou não aceitável.
Infere-se, portanto, que a educação financeira deve ser incentivada. Logo, é necessário que o Estado, por meio do Ministério da Educação, promova a conscientização social acerca dessa temática, priorizando a realização de campanhas que estimulem as famílias a debaterem com seus filhos acerca do gerenciamento de ganhos e despesas, com o intuito de orientar os jovens ao uso consciente do dinheiro, evitando problemas futuros, como inadimplência. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, por meio de palestras realizadas por ONGs, sobre a importância de não se adotar uma postura resignada diante da falta de uma educação financeira, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol da implementação, nas escolas, de aulas e projetos que ensinem os alunos a investirem suas finanças, a fim de incentivar o empreendedorismo. Desse modo, a falta de senso crítico diante de impasses poderia se restringir à obra de Huxley.