A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 18/07/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira assegura a todos os cidadãos o direito à dignidade e ao bem-estar. Entretanto, tratando-se de finanças pessoais, a crise econômica atual e o alto índice de desempregados e endividados prejudicam o exercício pleno dos bens jurídicos tutelados no texto constitucional. Diante dessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de intervenção estratégica por parte do Estado, com vistas a reconstruir o relacionamento do brasileiro com o dinheiro e garantir um futuro harmônico para o país e para as próximas gerações.

Em princípio, sabe-se que o combate ao desemprego e à miséria é fundamental para a manutenção da homeostase (equilíbrio interno) de uma nação. No Brasil, a taxa de desempregados já ultrapassa os 12%, enquanto o número de indivíduos em situação de extrema pobreza (menos de 1,9 dólar por dia) supera os 14 milhões, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nesse ponto, torna-se racional crer que a crise econômica, impulsionada por questões trabalhistas e previdenciárias, é protagonista da causa. Todavia, a falta de conhecimento da população sobre gestão de finanças pessoais também é um ponto de destaque a ser avaliado. Segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), seis em cada dez brasileiros admite não se dedicar às contas da família, o que contribui significativamente para os índices supramencionados.

Faz-se imperioso, ainda, salientar que é função do Estado prover à sociedade a educação financeira desde o período escolar. Isto posto, vale retomar a analogia proferida pelo artista italiano Leonardo da Vinci, que diz que o sol jamais enxergaria a sombra, por serem incompatíveis. Nesse ensejo, pode-se comparar a sombra ao ato governamental de envidar esforços, normativos e financeiros, com o objetivo de articular o ensino sobre finanças, de maneira eficiente e fundamentada, em todas as escolas do país. Dessa forma, a sombra, atual “status quo” (estado atual), aos poucos perderá forças e cederá espaço ao progresso, caso a luz irradie com maior intensidade.

Destarte, depreende-se que o Estado tem importante papel a cumprir no ajuste do hodierno cenário. Logo, cabe ao parlamento a abertura de comissão permanente que atue cotidianamente no estudo da causa. Para isso, deverão ser conclamados economistas, educadores e demais cidadãos voluntários que detenham conhecimento e almejem representar o país em plenário, com intuito de garantir o respaldo legal e fiscal para continuidade do ensino e do acompanhamento do tema em escolas e universidades. Ademais, é mister que o Ministério da Economia desenvolva ostensiva campanha de conscientização, em meios virtual e televisivo, acerca da importância de gerir as economias familiares de maneira responsável. Assim, gradualmente o Brasil superará a crise e caminhará rumo à ordem.