A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 13/07/2020
Nas fábulas, a formiga, sempre precavida, guarda seus alimentos para o inverno. Já o coelho, vive seus dias como se não houvesse amanhã. O inverno chega, a formiga tem seus suprimentos para viver essa época. O coelho sofre, beirando à morte. Hodiernamente, essa fábula se assemelha com a situação atual de parte dos brasileiros, uma vez que, em tempos de pandemia e escassez econômica, muitos sofrem por falta de uma poupança para emergências. Nesse contexto, não há dúvidas de a falta de educação financeira no Brasil é um desafio que ocorre devido não só a fatores culturais, mas também à negligência governamental.
Nesse cenário, vale salientar que parte da população brasileira, sequer sabe fazer uma multiplicação simples, para saber o quanto de juros vai pagar em um financiamento. Sendo assim, corroborando com o matemático Rafael Procópio em seu livro “Matemática de cabeceira”, o qual aduz que o brasileiro não se importa com o montante a ser pago no final de um empréstimo, e sim com o valor mensal a ser pago (o valor da parcela), pois grande parte da população é carente de conhecimentos básicos da matemática. Logo, a falta de conhecimento, aliada a publicidade que incentiva ao cidadão a fazer compras, cuja ênfase é no valor mensal a ser pago, são fatores que influenciam negativamente àqueles que apenas enxergam o custo por mês, dada a ausência de educação financeira que muitos brasileiros não possuem.
Ademais, Constituição cidadã de 1988, garante a todos o acesso à educação, todavia o Poder Executivo não efetiva esse direito. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, uma vez que são ausentes os mecanismos para garantir educação financeira no Brasil, fazendo os direitos ficarem inertes no papel. Nesse sentido, faz-se necessário a atuação dos órgãos governamentais para efetivar os direitos dos seus cidadãos.
Portanto, para mitigar o problema elencado, é dever do Governo Federal (órgão máximo do poder executivo), criar um projeto de lei, para proibir que custos de produtos sejam divulgados por valor mensal, e sim pelo valor total, para que a população não seja influenciada a adquirir itens apenas visando o custo mensal. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Educação (órgão responsável pela educação brasileira), incluir em seu portfólio educativo, disciplinas relacionadas à educação financeira, para que os alunos, desde a tenra infância, já tenham noção da importância de ser consciente financeiramente. Como efeito social, o Brasil não mais carecerá de pessoas que não observem o dia de amanhã, pelo menos no viés financeiro.