A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 28/06/2020

O mercantilismo, primeira versão do capitalismo mercantil, esteve em seu apogeu no século XV, com um único objetivo: o acúmulo exacerbado de lucro. Nesse sentido, disputas políticas eram recorrentes, na maioria das vezes, entre irmãos que disputavam o trono e, principalmente, as riquezas familiares. Fora da historiografia, a realidade não é tão diferente, visto que a vontade de usufruir do poderio monetário e a ganância por esse prevaleceram e instauraram uma nova mazela que assola a sociedade: a imprudência financeira. Pode-se dizer, então, que não só as diretrizes impostas pelo século XXI, mas também a não consolidação de programas políticos que trabalhem com a base ideológica monetária do cidadão são as responsáveis pelo cenário descrito.

A priori, é evidente que o modo de produção atual, o capitalismo, exerce alta influência sob a população, logo, ele dita as principais características da atualidade. Dessa forma, integrantes que não façam parte da classe alta brasileira tendem a sofrer maiores intervenções desse modelo econômico. Posto isso, aquisições desnecessárias são comuns no cotidiano desses cidadãos, prova disso, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 62,6 milhões de brasileiros finalizaram o ano de 2018 com alguma conta atrasada e, consequentemente, com o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) negativo. Tais dados demonstram a fragilidade financeira do morador nacional frente às responsabilidades do dia a dia.

Ademais, é nítido que o Brasil como um todo carece de uma base ideológica financial diferente da atual, portanto, tal reformulação deve ser imposta, inicialmente, por um órgão de grande relevância no contexto nacional. De acordo com a Sociologia, ciência social que estuda as relações contemporâneas na sociedade, a escola é uma das mais importantes instituições sociais, a qual exerce notória coercividade sob seus membros. Desse modo, o Estado deve utiliza-lá não apenas superficialmente, mas de maneira intensa, a fim de expor as novas práticas a serem seguidas e respeitadas no Brasil.

Dado o exposto, infere-se que reformulações conjunturais são necessárias acerca do ensino monetário da população. Sendo assim, cabe ao Poder Legislativo, instância máxima na criação de leis isonômicas, implantar centros comunitários, principalmente nas comunidades, que dialoguem a respeito da educação financeira e firmar a inserção dessa nas grades curriculares do alunos. Essa deve ser feito por meio da comunicação entre os governos estatais e o Poder Judiciário, através de correspondências e tratados. Já aquela deve ser executada por intermédio da introdução de profissionais da saúde, que estejam cientes do propósito do projeto. Assim, a realidade do século XV estará presente apenas nos livros de História.