A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 20/06/2020
Na obra literária “Quincas Borba”, de autoria de Machado de Assis, é retratado a vida do personagem Rubião, um herdeiro de uma fortuna milionária que por atos negligentes e descuidados acaba perdendo sua herança. Conquanto, fora da ficção, esse fato não é muito distante da realidade da população brasílica, hodiernamente, já que, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio, 65% dela está endividada, mostrando a fundamental necessidade da educação financeira. À luz de tal contexto, convém analisar os principais desafios para liquidar o imbróglio.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o óbice deriva da baixa atuação estatal, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tal recorrência. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, alcance-se o equilíbrio na coletividade. Entretanto, infelizmente, observa-se o oposto sendo constatado na prática, uma vez que o sistema político brasileiro falha em capacitar profissionais aptos a promover a educação financeira, fazendo com que poucos indivíduos tenham uma vida financeira saudável, ou seja, ter consciência dos gastos e poupar mensalmente. Logo, isso mostra a ineficiência dessa atitude governamental. Destarte, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Outrossim, é lícito postular que as escolas favorecem esse empecilho. Nessa lógica, segundo Michel Foucault as instituições de ensino comportam-se como “Instituição Sequestro” quando procuram impor ordem e docilizar os alunos, ao invés de inseri-los no âmbito social. Assim, os institutos ao focalizarem sobretudo em bons rendimentos acadêmicos, objetivando os vestibulares, como por exemplo, o Exame Nacional do Ensino Médio, acabam colocando em segundo plano matérias relevantes como a educação financeira.
Em síntese, medidas exequíveis são necessárias para solucionar a problemática. Nesse aspecto, urge ao Ministério da Educação, em parceria com a Associação de Educação Financeira do Brasil, disponibilizar materiais e cursos para preparar os professores, por meio de verbas oriundas da loteria fiscal, a fim de promover a capitação do maior número de educadores possível. Ademais, cabe ao Ministério da Educação – órgão responsável pela formação civil – promover palestras e debates – que possibilitem o entendimento acerca da importância e consequências de ter uma vida financeira saudável – ministradas por profissionais do assunto, como economistas, nas escolas, com o fito de formar cidadãos conscientes desde pequenos, pois como disse o educador Paulo Freire, “A educação muda as pessoas, e essas o mundo”. Dessa maneira, o personagem Rubião não acabaria perdendo sua herança e o problema seria liquidado.