A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/05/2020
Desde o século XIX, Karl Marx já discutia sobre os problemas de uma sociedade alienada. A classe operária era refém do dinheiro e levava uma vadia vazia de sentidos e valores. Hodiernamente, ainda há uma população submissa ao capitalismo, que atrelada a falta de educação financeira submerge em dívidas ao tentar possuir a vida estimulada pelos veículos de massa. Logo, percebe-se que o ensino da educação financeira é essencial para sociedade, já que lida com o ser, o fazer e o ter. A fim de entender sua importância deve-se analisar alguns fatores, como o trabalho alienado e as consequências do consumismo exacerbado.
Primeiramente, é fulcral analisar a alienação do trabalhador. Karl Marx afirmava que, “O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem”. Certamente, este pensamento traduz o comportamento da sociedade atual, que se perde trabalhando excessivamente para ter uma vida cheia de coisas supérfluas e vazia de sentido. O homem alienado vive fora de si, e passa a viver para o outro, para o trabalho e o dinheiro. Perde a vida ao tentar conquistar um padrão de vida supervalorizado por uma nação consumista, e quando não consegue atingir esse padrão sente-se frustado. Esse sentimento de frustração ganha espaço e abre margem para o desenvolvimento de problemas psicológicos, como depressão e ansiedade.
Ademais, tendo em vista essa realidade de compras irresponsáveis e impensadas, os brasileiros estão gradativamente contraindo mais dívidas, e pior, não estão conseguindo quitá-las. De acordo com dados divulgados pelo Serasa, em abril de 2019, o Brasil bateu recorde de endividados, 63,4 milhões de pessoas, aproximadamente 40,4% da população adulta, estavam com dívidas atrasadas e CPF negativado. Consequentemente, esse endividamento afeta a saúde mental das pessoas. Segundo uma entrevista realizada pela USP em 2016, 80% dos entrevistados sofriam com ansiedade e depressão por causa de dívidas.
Em suma, considerando os aspectos supracitados, é essencial que ações sejam realizadas para reverter essa situação. O estado precisa proporcionar o ensino da educação financeira para jovens e adultos. Destarte, o Ministério da Educação poderia inserir na LDB o ensino obrigatório da educação financeira para alunos do ensino básico, desta forma as crianças e jovens seriam incentivadas a refletir sobre a necessidade e valor das coisas. Ainda, o Ministério da Educação e as mídias sociais poderiam criar um programa televisivo para a população adulta sobre responsabilidade financeira, que ensinasse formas de planejamento e contenção gastos, a fim de estimular o consumo sensato. Somente dessa forma a sociedade brasileira alcançará uma vida financeiramente e mentalmente equilibrada.